Programas de milhas aéreas ganham espaço estratégico para empresas
Com resgates mais caros e novas regras, empresários passam a calcular o custo de cada emissão antes de voar.
Os programas de milhas aéreas têm se tornado fundamentais para otimizar experiências de viagem e fidelizar clientes, permitindo que passageiros acumulem pontos com base em distâncias voadas, gastos em passagens e parcerias. No entanto, o mercado tem passado por transformações profundas que alteram a forma como esses pontos são utilizados, especialmente pelo público corporativo e por empresários que voam frequentemente.
Segundo especialistas no setor, grande parte dos empreendedores que viaja regularmente está deixando de usar milhas por mero hábito. Em vez de transferir pontos e emitir a primeira passagem disponível, esses viajantes passaram a calcular o custo de cada emissão antes de decidir a forma de pagamento, avaliando se o uso de milhas compensa em relação aos bilhetes pagos em dinheiro.
A mudança ocorre em um cenário de alta movimentação no mercado de fidelidade. No primeiro trimestre de 2026, os programas brasileiros emitiram 299,3 bilhões de pontos e milhas, faturando R$ 6,3 bilhões, o que representou uma alta de 11,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. Paralelamente, a taxa de pontos que vencem sem uso caiu para 11,1%, o menor índice histórico registrado pela Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Fidelização.
Apesar do volume recorde, resgatar passagens ficou mais caro e menos previsível. Programas como o LATAM Pass adotaram precificação dinâmica sem teto de resgate, enquanto reajustes em tabelas de parceiros e alterações em bônus de cartões de crédito elevaram o custo implícito para quem acumula sem planejamento estratégico. Além disso, a quebra de empresas intermediárias no passado recente abalou a confiança de parte dos consumidores, tornando a segurança das operações um fator crítico.
Para os empresários, o impacto dessas variações é sentido mais rapidamente devido à alta frequência de voos, à necessidade de acomodar comitivas de sócios e familiares, e à diversidade de destinos corporativos e de lazer. A escolha inadequada de um programa ou o resgate em datas de alta demanda pode gerar prejuízos acumulados expressivos ao longo de dezenas de voos realizados anualmente.
Diante desse cenário complexo, consultorias especializadas e serviços de gestão de milhas ganharam espaço no mercado, oferecendo suporte financeiro e logístico para maximizar o retorno dos pontos acumulados. Para quem acumula em grande volume, a recomendação dos especialistas é tratar cada milha como um ativo financeiro, avaliando criteriosamente o custo do milheiro, as taxas de embarque e a disponibilidade real de assentos antes de fechar qualquer viagem.
Fontes consultadas
- Programas de milhas aéreas: quais são e como acumular? passageirodeprimeira.com
- Suspeita de aplicar golpes na venda de passagens aéreas é presa | G1 g1.globo.com
- Motiva conclui venda de aeroportos e lucra R$ 750 milhões no trimestre economia.uol.com.br
- Lufthansa compra fatia da TAP por R$ 7,3 bilhões: o que muda nos voos entre Brasil e Europa exame.com
- Empresários e milhas: Norton Reveno explica o que mudou - A Crítica acritica.com