Promotoria pede até 12 anos de prisão para médicos de Maradona
Ministério Público da Argentina sustenta que falecimento do ex-jogador em 2020 foi evitável e motivado por negligência da equipe de saúde.
A Promotoria da Argentina solicitou nesta quinta-feira penas que variam de quatro a 12 anos de prisão para os profissionais de saúde envolvidos no atendimento a Diego Maradona. O requerimento foi apresentado no tribunal de San Isidro, na região metropolitana de Buenos Aires, após sete meses de audiências formais e o início da fase de alegações finais do julgamento.
O principal alvo do Ministério Público é o neurocirurgião e médico pessoal Leopoldo Luque, para quem foi exigida a pena máxima de 12 anos de reclusão, além de dez anos de inabilitação profissional. Para a coordenadora Nancy Forlini, o pedido foi de dez anos de prisão, enquanto a psiquiatra Agustina Cosachov enfrenta uma solicitação de oito anos de condenação.
Os promotores enquadraram os principais réus no crime de homicídio com dolo eventual, argumentando que os profissionais tinham plena consciência dos riscos e agiram com indiferença perante o quadro de saúde do paciente. De acordo com a acusação, a equipe médica ignorou sinais críticos e submeteu o ex-jogador a um tratamento caótico e inadequado.
Durante a sessão acompanhada pelas filhas do ídolo — Dalma, Gianinna e Jana —, o promotor Patricio Ferrari afirmou que os acusados infringiram seus deveres profissionais, omitiram cuidados essenciais e deixaram o ex-atleta em situação de total desamparo. A acusação exibiu registros periciais e fotos do falecimento para evidenciar a falta de estrutura hospitalar mínima na residência localizada na cidade de Tigre.
Outros integrantes da equipe também foram alvo de penalidades menores por homicídio culposo, decorrente de ações negligentes e imprudentes. A promotoria pediu cinco anos de prisão para o psicólogo Carlos Díaz e quatro anos para o chefe de enfermagem Mariano Perroni e para o enfermeiro Ricardo Almirón. Por outro lado, o órgão ministerial absteve-se de acusar e pediu a absolvição do clínico geral Pedro Di Spagna.
Diego Maradona faleceu aos 60 anos, em 25 de novembro de 2020, em decorrência de um edema pulmonar e de uma paragem cardiorrespiratória. O óbito ocorreu durante uma internação domiciliária, cerca de duas semanas após o ex-jogador ser submetido a uma cirurgia bem-sucedida para tratar um hematoma subdural na cabeça.
Em contrapartida, as defesas dos profissionais de saúde rejeitam veementemente a acusação de dolo eventual e sustentam a tese de inocência técnica, argumentando que o resultado fatal não era previsível. O tribunal argentino planeja analisar os argumentos das partes ao longo das próximas semanas antes de anunciar o veredito definitivo.
Fontes consultadas
- Promotoria pede prisão de médicos de Maradona: “Morte era evitável” | abc+ abcmais.com
- As penas de prisão pedidas para a equipa médica que assistiu Maradona antes da morte | Flashscore.pt flashscore.pt
- Promotoria aponta negligência e pede prisão de médicos de Maradona d24am.com
- Julgamento pela Morte de Maradona: Promotoria Pede Penas Severas pensarpiaui.com
- Promotor pede 12 anos de cadeia para neurocirurgião de Maradona terra.com.br