Protestos na França contra custo de vida terminam com centenas de prisões
Manifestações reuniram centenas de milhares de pessoas em várias cidades francesas, marcadas por confrontos e episódios de violência.
Manifestações em diversas cidades da França contra o alto custo de vida e por melhorias nos serviços públicos resultaram na prisão de centenas de pessoas e em dezenas de feridos neste sábado (17). Os atos, que aglutinaram estudantes, trabalhadores e integrantes do movimento dos coletes amarelos, mobilizaram centenas de milhares de participantes em todo o território nacional, em um dos episódios mais tensos da reta final do governo do presidente Emmanuel Macron.
A divergência sobre o tamanho da mobilização marcou o balanço oficial e o sindical. Enquanto o governo, representado pelo ministro do Interior, Laurent Nuñez, estimou o total de manifestantes em 550 mil pessoas e relatou cerca de 400 detidos, fontes sindicais como a Confederação Geral do Trabalho calcularam a participação de até 800 mil pessoas. A polícia utilizou gás lacrimogêneo para conter distúrbios em cidades como Paris, Marselha, Toulouse e Lyon.
A onda de protestos foi intensificada por episódios graves de ferimentos entre os participantes. Em Saint-Étienne, um manifestante perdeu a mão durante a detonação de uma granada de efeito moral. O caso repetiu um incidente anterior registrado no início do mês com um estudante em Lens, o que elevou a pressão sobre as táticas de controle de distúrbios empregadas pelas forças de segurança e motivou investigações por parte do órgão de controle da atividade policial.
O clima de tensão também se refletiu em atos de vandalismo, incêndios em mobiliário urbano e saques a estabelecimentos comerciais em diferentes regiões. Em Angers, manifestantes invadiram a prefeitura e a sede do governo regional de Maine-et-Loire, provocando um princípio de incêndio que foi controlado por funcionários. Conflitos semelhantes ocorreram em praças centrais e bairros comerciais, com barricadas e depredações relatadas pelas autoridades locais.
Enquanto autoridades políticas atribuíram os atos de violência a grupos radicais e mascarados que teriam se infiltram nas marchas pacíficas, lideranças sindicais e manifestantes criticaram a atuação policial e a repressão às pautas sociais. Cidadãos nas ruas apontaram a insatisfação generalizada com a inflação, o encarecimento dos combustíveis e a falta de perspectivas futuras como motivadores centrais para a adesão massiva ao movimento.
O presidente Emmanuel Macron utilizou as redes sociais para condenar os episódios de violência e depredação, afirmando que os responsáveis pelos ataques a prédios públicos e comércios serão punidos rigorosamente. A mobilização ocorre no momento em que o Executivo tenta avançar com um rigoroso ajuste fiscal no Parlamento para conter o endividamento público, enfrentando forte resistência social e um cenário político fragmentado.
Fontes consultadas
- Manifestante perde a mão em protesto perto de Lyon, na França | CNN Brasil cnnbrasil.com.br
- Protestos contra o custo de vida na França mobilizam ao menos 550 mil pessoas; governo cita 1,2 mil detidos e 150 policiais feridos oglobo.globo.com
- Protestos na França reúnem 550 mil e terminam com 400 detidos | G1 g1.globo.com