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Protestos na França contra custo de vida terminam com centenas de prisões

Manifestações reuniram centenas de milhares de pessoas em várias cidades francesas, marcadas por confrontos e episódios de violência.

Por 3 min de leitura

Protestos na França contra custo de vida terminam com centenas de prisões
Protestos na França contra custo de vida terminam com centenas de prisões

Manifestações em diversas cidades da França contra o alto custo de vida e por melhorias nos serviços públicos resultaram na prisão de centenas de pessoas e em dezenas de feridos neste sábado (17). Os atos, que aglutinaram estudantes, trabalhadores e integrantes do movimento dos coletes amarelos, mobilizaram centenas de milhares de participantes em todo o território nacional, em um dos episódios mais tensos da reta final do governo do presidente Emmanuel Macron.

A divergência sobre o tamanho da mobilização marcou o balanço oficial e o sindical. Enquanto o governo, representado pelo ministro do Interior, Laurent Nuñez, estimou o total de manifestantes em 550 mil pessoas e relatou cerca de 400 detidos, fontes sindicais como a Confederação Geral do Trabalho calcularam a participação de até 800 mil pessoas. A polícia utilizou gás lacrimogêneo para conter distúrbios em cidades como Paris, Marselha, Toulouse e Lyon.

A onda de protestos foi intensificada por episódios graves de ferimentos entre os participantes. Em Saint-Étienne, um manifestante perdeu a mão durante a detonação de uma granada de efeito moral. O caso repetiu um incidente anterior registrado no início do mês com um estudante em Lens, o que elevou a pressão sobre as táticas de controle de distúrbios empregadas pelas forças de segurança e motivou investigações por parte do órgão de controle da atividade policial.

O clima de tensão também se refletiu em atos de vandalismo, incêndios em mobiliário urbano e saques a estabelecimentos comerciais em diferentes regiões. Em Angers, manifestantes invadiram a prefeitura e a sede do governo regional de Maine-et-Loire, provocando um princípio de incêndio que foi controlado por funcionários. Conflitos semelhantes ocorreram em praças centrais e bairros comerciais, com barricadas e depredações relatadas pelas autoridades locais.

Enquanto autoridades políticas atribuíram os atos de violência a grupos radicais e mascarados que teriam se infiltram nas marchas pacíficas, lideranças sindicais e manifestantes criticaram a atuação policial e a repressão às pautas sociais. Cidadãos nas ruas apontaram a insatisfação generalizada com a inflação, o encarecimento dos combustíveis e a falta de perspectivas futuras como motivadores centrais para a adesão massiva ao movimento.

O presidente Emmanuel Macron utilizou as redes sociais para condenar os episódios de violência e depredação, afirmando que os responsáveis pelos ataques a prédios públicos e comércios serão punidos rigorosamente. A mobilização ocorre no momento em que o Executivo tenta avançar com um rigoroso ajuste fiscal no Parlamento para conter o endividamento público, enfrentando forte resistência social e um cenário político fragmentado.

Fontes consultadas

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