Protestos na França deixam mais de 1.800 presos e destroem patrimônio
Atos contra o custo de vida e por melhorias na educação culminaram em saques, confrontos com a polícia e incêndios em prédios públicos em várias cidades francesas.
Uma onda de protestos contra o custo de vida e a situação dos serviços públicos na França resultou em mais de 1.800 prisões e deixou mais de 150 policiais feridos após um sábado marcado por violência extrema, saques e incêndios em diversas cidades do país. O Ministério do Interior estimou que cerca de 550 mil pessoas participaram das manifestações, sendo 110 mil apenas em Paris, em um movimento que mobilizou estudantes, professores, agricultores, ativistas climáticos e sindicatos.
O episódio mais dramático ocorreu na cidade de Limoges, no centro do país, onde um grupo de mascarados invadiu e incendiou o prédio histórico da prefeitura. O edifício de estilo neorrenascentista do século XIX teve o telhado destruído e a torre do relógio reduzida a escombros após o desabamento. O prefeito da cidade, Guillaume Guerin, criticou a falta de efetivo policial na área e ameaçou renunciar caso não receba 1 milhão de euros para custear os reparos estruturais.
Além de Limoges, prefeituras em Marselha e Lille foram invadidas e depredadas, enquanto um posto de turismo foi incendiado em Lyon. Pelo menos nove cidades registraram saques a estabelecimentos comerciais, incluindo Paris, Bordeaux, Nice e Estrasburgo. Na região de Lyon, um manifestante sofreu ferimentos graves na mão durante os confrontos.
Na capital francesa, a tensão concentrou-se na Place de la République, onde a estátua de Marianne foi adornada com um colete amarelo. O prefeito de Paris, Emmanuel Grégoire, relatou que ruas inteiras foram devastadas pela violência urbana. Conforme o Ministério do Interior, as depredações foram cometidas por grupos oportunistas e da chamada ultraesquerda infiltrados nas manifestações.
O movimento atual teve início em meados de setembro a partir de protestos estudantis em uma escola de Créteil contra salas lotadas, infraestrutura deteriorada e falta de professores. As reivindicações ganharam força e atraíram diferentes setores da sociedade, unindo demandas por reajustes salariais, controle de preços de combustíveis e moradia, além de críticas às políticas fiscais do governo.
O presidente Emmanuel Macron condenou os atos de vandalismo e garantiu que os responsáveis serão punidos perante a lei, enquanto o primeiro-ministro Sébastien Lecornu destacou a atuação das forças de segurança diante do cenário caótico. O governo enfrenta um momento econômico delicado, tentando conter um déficit público superior a 5% do PIB em meio à pressão de investidores e a poucos meses da reta final do atual mandato presidencial.