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Economia

Real e ETF do Ibovespa caem após reeleição de Lula

A vitória do presidente no segundo turno contrariou as projeções do mercado financeiro e provocou forte volatilidade nos ativos internacionais e no câmbio.

Por 3 min de leitura

Real e ETF do Ibovespa caem após reeleição de Lula
Real e ETF do Ibovespa caem após reeleição de Lula

O real registrou queda de cerca de 9% a 10% no mercado futuro da Bolsa de Chicago (CME) na noite deste domingo, enquanto o principal fundo negociado em bolsa (ETF) de ativos brasileiros nos Estados Unidos, o EWZ, recuou mais de 18% após a confirmação da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para um quarto mandato. O resultado do segundo turno eleitoral contrariou as expectativas predominantes entre agentes e analistas do mercado financeiro, que apostavam majoritariamente em uma vitória do candidato da oposição, o senador Flávio Bolsonaro (PL).

De acordo com dados apurados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula assegurou a reeleição com 51,75% dos votos válidos, superando Flávio Bolsonaro, que obteve 48,25%. A vantagem de cerca de 3,5 pontos percentuais, equivalente a aproximadamente 4,4 milhões de votos, consolidou a virada em relação ao primeiro turno, quando o candidato do PL havia terminado na liderança da disputa presidencial.

A reação imediata nos mercados internacionais antecipa uma abertura de sessão bastante volátil e de forte correção para os ativos brasileiros. Especialistas apontam que os investidores vinham precificando uma alternância de poder que sinalizasse uma mudança na política fiscal e maior rigor no controle dos gastos públicos. Com a manutenção do atual governo, o mercado precisou reavaliar suas posições diante do risco fiscal e da expectativa de juros futuros mais elevados.

Além da queda expressiva no mercado futuro de câmbio, onde o dólar implícito rondava patamares próximos a R$ 5,56, os recibos de ações (ADRs) de grandes empresas brasileiras negociados na Bolsa de Nova York também operavam em forte baixa. Os papéis de companhias como Petrobras, Vale e grandes bancos registraram recuos acentuados durante as negociações noturnas. No Japão, o fundo NEXT FUNDS Ibovespa Linked ETF apresentou queda superior a 11% na Bolsa de Tóquio.

Analistas do setor financeiro destacam que o comportamento dos ativos nos próximos pregões dependerá fundamentalmente das primeiras sinalizações da equipe econômica do novo governo. O mercado aguarda definições claras sobre o compromisso com a responsabilidade fiscal, o controle da dívida pública e a capacidade de articulação política com um Congresso que conta com uma oposição fortalecida.

O plano de governo apresentado durante a campanha enfatizou a manutenção do arcabouço fiscal, o estímulo aos investimentos em infraestrutura e a retomada do crescimento econômico com controle da inflação. No entanto, o desafio central apontado por especialistas permanece na conciliação entre a expansão da atividade econômica e a imposição de limites consistentes ao crescimento das despesas primárias do Estado.

A expectativa geral para o início da semana é de um reajuste de preços severo, com pressão sobre a bolsa doméstica, desvalorização da moeda nacional e abertura nas curvas de juros de longo prazo, até que novas diretrizes concretas sejam estabelecidas pela administração federal.

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