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Economia

Receita Federal alerta contribuintes e Banco Central estuda limite de crédito

Novas medidas econômicas e o cenário eleitoral movimentam o debate sobre a renda das famílias brasileiras.

Por 3 min de leitura

Receita Federal alerta contribuintes e Banco Central estuda limite de crédito
Receita Federal alerta contribuintes e Banco Central estuda limite de crédito

Quase 500 mil brasileiros que tiveram a declaração do Imposto de Renda de 2026 retida na malha fina estão recebendo avisos da Receita Federal para regularizar a situação. Ao todo, 498.487 contribuintes foram incluídos na ação que teve início no dia 5 de outubro e prevê o envio de cartas até esta terça-feira (20). No Amazonas, 6.062 pessoas foram notificadas. A iniciativa, chamada de Projeto Cartas 2026, busca incentivar a correção voluntária de inconsistências antes de uma intimação formal do Fisco.

Entre os motivos que levam declarações à malha fina estão a omissão de rendimentos, falta de informações sobre dependentes, divergências em despesas médicas e dados incorretos informados por aposentados que possuem mais de uma fonte pagadora. A Receita Federal destaca que a retenção não indica fraude, mas a necessidade de análise detalhada. Os contribuintes podem verificar a situação pelo portal ou aplicativo oficial utilizando uma conta Gov.br com nível prata ou ouro, podendo enviar uma declaração retificadora caso encontrem erros.

Enquanto o Fisco foca na regularização de tributos, o Banco Central estuda estabelecer novos limites para a concessão de crédito com base na renda dos consumidores, em uma tentativa de conter o endividamento das famílias. O endividamento alcançou 49,9% da renda acumulada nos 12 meses até julho, patamar historicamente alto, enquanto o país registra um recorde de 83,9 milhões de inadimplentes segundo dados da Serasa.

A proposta em estudo pela autoridade monetária prevê que as instituições financeiras adotem critérios mais rigorosos na avaliação da capacidade de pagamento e ampliem a transparência antes da contratação de financiamentos, inspirando-se em modelos internacionais como o de Cingapura. O Banco Central não comentou oficialmente o assunto, que ocorre em meio a um cenário de expansão rápida de serviços bancários digitais.

O impacto econômico sobre os diferentes extratos sociais também se reflete no cenário político e eleitoral de 2026. Pesquisa divulgada nesta terça-feira (20) pela Real Time Big Data mostra que a renda é um fator de forte divisão nas intenções de voto para a Presidência entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro.

Entre os eleitores que recebem até dois salários mínimos, Lula registra 54% das intenções de voto contra 39% de Flávio Bolsonaro. O cenário se inverte nas faixas de renda superiores: na faixa de dois a cinco salários mínimos, Flávio tem 51% e Lula 41%; entre os que ganham mais de cinco salários, o candidato do PL alcança 61% e o atual presidente soma 33%. A pesquisa ouviu 2.000 eleitores entre 15 e 19 de outubro.

A discussão sobre programas sociais e transferência de renda também ganhou destaque na campanha. O candidato Flávio Bolsonaro apagou publicações antigas em suas redes sociais nas quais criticava o Bolsa Família e programas estaduais, referindo-se a eles como bolsa-farelo. Recentemente, a equipe econômica da campanha propôs uma regra de transição de dois anos para o Bolsa Família, gerando debates e reações de adversários políticos sobre o futuro dos beneficiários.

Fontes consultadas

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