Regras de convivência e locação residencial geram dúvidas
Especialistas alertam para direitos e deveres de inquilinos, proprietários e condomínios em contratos e heranças.
A relação entre locatários, proprietários e condomínios envolve regras complexas que vão desde o pagamento de taxas até restrições para locações de curta temporada. Questões contratuais e direitos de habitação frequentemente geram debates jurídicos e exigem atenção redobrada das partes envolvidas para evitar conflitos no cotidiano imobiliário.
De acordo com a Lei do Inquilinato, as despesas ordinárias do condomínio, como limpeza de áreas comuns e salários de funcionários, são de responsabilidade do inquilino. Por outro lado, reformas estruturais e manutenção externa cabem ao proprietário. O contrato de locação também deve especificar claramente prazos, garantias e índices de reajuste, que não podem ocorrer em intervalos inferiores a um ano, conforme a legislação vigente.
No âmbito dos condomínios residenciais, o Superior Tribunal de Justiça estabeleceu que a convenção pode proibir a oferta frequente de imóveis para estadias curtas por meio de aplicativos de hospedagem. Segundo a jurisprudência, a descaracterização do uso estritamente residencial permite que a assembleia barre hóspedes rotativos, salvo autorização qualificada de dois terços dos condôminos.
Outro ponto sensível nas leis imobiliárias diz respeito ao direito real de habitação. Conforme o Código Civil, o cônjuge ou companheiro sobrevivente tem o direito vitalício de continuar morando no imóvel da família após o falecimento do parceiro, mesmo que os filhos sejam proprietários da maior parte da herança.
Essa garantia impede que os herdeiros exijam a desocupação imediata, cobrem aluguel da beneficiária ou promovam a venda judicial do bem enquanto vigorar a proteção legal. A moradia permanece gratuita, embora a beneficiária não possa alugar ou emprestar o imóvel a terceiros, já que o direito possui caráter estritamente pessoal.
Para minimizar desentendimentos, recomenda-se a guarda organizada de recibos, contratos e laudos de vistoria. Diante de cobranças inesperadas ou impasses sobre o uso de propriedades, a consulta prévia à documentação e a orientação jurídica adequada continuam sendo as ferramentas mais eficazes para assegurar os direitos de todos os envolvidos.
Fontes consultadas
- Lei do aluguel está em vigor e afetando quem paga todo mês oantagonista.com.br
- Seguro residencial: como funciona e o que cobre - SpaceMoney spacemoney.com.br
- Moradora aluga apartamento por diárias em aplicativo, condomínio proíbe hóspedes rotativos após assembleia e STJ confirma que a convenção pode vetar a locação de curta temporada em prédio residencial - Correio Braziliense correiobraziliense.com.br
- Filhos herdam a casa do pai, mas descobrem que a madrasta pode ter o direito de morar no imóvel até o fim da vida e que uma regra impede que a retirem para vender ou alugar a propriedade - Super Rádio Tupi tupi.fm