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Política

Secretaria aponta que advogado apostou R$ 5 bi em plataforma de apostas em 2025

Documento do Ministério da Fazenda revela movimentações bilionárias do advogado Willer Tomaz, que também é alvo de investigações da Polícia Federal.

Por 3 min de leitura

Secretaria aponta que advogado apostou R$ 5 bi em plataforma de apostas em 2025
Secretaria aponta que advogado apostou R$ 5 bi em plataforma de apostas em 2025

Uma nota técnica da Secretaria de Prêmios e Apostas, vinculada ao Ministério da Fazenda, revelou que o advogado Willer Tomaz de Souza foi a pessoa que mais realizou apostas no Brasil durante todo o ano de 2025, movimentando a quantia de R$ 5 bilhões. As informações foram obtidas por meio de dados repassados pela casa de apostas Blaze e apontam que o volume depositado pelo investigado representou quase o dobro do valor registrado pelo segundo colocado no ranking nacional do período.

De acordo com os registros da plataforma, ao longo de 2025 o advogado depositou mais de R$ 258 milhões e efetuou saques de R$ 200 milhões em sua conta. Em um processo judicial movido pela defesa contra a própria casa de apostas, os representantes legais informaram que, considerando também o ano de 2026, os aportes totais alcançaram R$ 325 milhões. A Polícia Federal investiga se as operações em plataformas de quota fixa foram utilizadas para a prática de lavagem de dinheiro, somando um total de R$ 6,6 bilhões apostados em um período de 18 meses, entre janeiro de 2025 e julho de 2026, o que resultou em um prejuízo de R$ 188,5 milhões.

A análise da Secretaria de Prêmios e Apostas apontou falhas severas nos controles de prevenção à lavagem de dinheiro por parte da Blaze, uma vez que o enorme volume de transações ocorreu sem que alertas automáticos fossem acionados. O documento detalha operações atípicas, como o registro de 14 depósitos de R$ 500 mil em um único dia, totalizando R$ 7 milhões, seguidos por 12 saques de igual valor em um intervalo de apenas 18 minutos no dia seguinte, condutas que podem sugerir o fracionamento ou a dissimulação de operações financeiras.

Apesar da alta movimentação financeira, a empresa classificou a conta de Willer Tomaz como de risco médio. O órgão governamental manifestou estranheza com a definição, sustentando que o perfil deveria ser enquadrado como de risco máximo ou crítico devido aos padrões atípicos e à potencial violação sistêmica da legislação, visto que o cliente possui registros públicos de investigações anteriores e incompatibilidade entre sua capacidade econômico-financeira declarada e o volume operado. A Secretaria destacou a possibilidade de indícios de culpa ou dolo da empresa por não ter analisado devidamente os riscos.

Em manifestação divulgada em setembro, a defesa de Willer Tomaz negou qualquer irregularidade e afirmou que "não há que se falar em lavagem de dinheiro", destacando que todas as movimentações ocorreram em sua própria conta bancária de forma transparente e rastreável. Além disso, os defensores relataram que o apostador foi diagnosticado com ludopatia — transtorno mental caracterizado pela perda de controle sobre o impulso de jogar — e solicitaram judicialmente a restituição de todos os valores enviados à plataforma de apostas.

Willer Tomaz é alvo de investigações em diferentes frentes. Na Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal, ele é investigado por suposta participação em um esquema de descontos associativos não autorizados em benefícios do INSS e por atuar na sustentação patrimonial de operadores políticos. Paralelamente, o advogado é alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal para apurar suspeitas de lavagem de dinheiro que também envolvem o senador e candidato a presidente Flávio Bolsonaro, com quem o advogado mantém laços de amizade, embora ambos neguem negócios conjuntos.

Fontes consultadas

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