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Política

Senado inicia debates sobre o fim da escala 6x1 em meio a embate político

Proposta que limita a jornada semanal a 40 horas sem corte salarial divide opiniões entre o governo e a oposição no Congresso.

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Senado inicia debates sobre o fim da escala 6x1 em meio a embate político
Senado inicia debates sobre o fim da escala 6x1 em meio a embate político

O plenário do Senado iniciou nesta terça-feira as discussões sobre a Proposta de Emenda à Constituição que visa extinguir a escala de trabalho 6x1. O texto em análise no Congresso propõe limitar a jornada máxima a 40 horas semanais, distribuídas em cinco dias de trabalho e dois de descanso, garantindo a manutenção integral da remuneração dos trabalhadores. A pauta ganhou forte centralidade política durante o segundo turno da disputa presidencial.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu publicamente a aprovação da mudança legislativa, argumentando que a medida proporciona mais tempo para o descanso, a convivência familiar e a preservação da saúde dos trabalhadores. Em manifestações públicas, Lula cobrou o posicionamento da bancada do PL e criticou os opositores da iniciativa, questionando a sustentabilidade de modelos que associam a diminuição do tempo de trabalho a cortes nos rendimentos mensais.

Por outro lado, o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro classificou a movimentação governista em torno da PEC como uma medida de caráter oportunista voltada para fins eleitorais. Durante reuniões com aliados, o parlamentar evitou declarar explicitamente se votará a favor ou contra o texto principal em análise no Senado, optando por concentrar as críticas no formato proposto pela base governista.

Como alternativa à extinção da escala 6x1, o grupo político ligado a Flávio Bolsonaro apresentou uma proposta de emenda constitucional própria que fomenta a flexibilização das jornadas de trabalho. Esse modelo alternativo aposta na livre negociação direta entre o empregado e o empregador, permitindo a estipulação da remuneração de acordo com a quantidade exata de horas trabalhadas, o que poderia resultar em redução salarial proporcional.

Como justificativa para o modelo de jornada flexível, o senador argumentou que a medida beneficiaria especialmente mães que enfrentam dificuldades para cumprir a jornada tradicional de oito horas diárias por falta de vagas em creches públicas. O parlamentar sugeriu a implementação de um sistema de vales para o custeio de instituições de ensino infantil privadas caso a rede pública não supra a demanda.

A sessão inaugural de debates no Senado foi marcada pela ausência de manifestações contrárias à matéria por parte dos parlamentares da oposição na tribuna, com exceção de ponderações econômicas isoladas. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, programou novas sessões de discussão para os próximos dias, embora tenha evitado estipular uma data exata para a realização da votação em primeiro turno.

Para obter a aprovação no plenário do Senado, a PEC precisa alcançar o apoio de pelo menos 49 dos 81 senadores ao longo de dois turnos de votação. Enquanto a base aliada do governo pressiona para acelerar os trâmites regimentais e votar o projeto ainda neste mês de outubro, aliados da oposição articulam estratégias para retardar a análise da proposta legislativa.

Fontes consultadas

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