Servidores municipais assumem autoria de ameaças a indígenas em MS
Investigação da Polícia Federal e órgãos federais ocorre após a circulação de áudios com ofensas e ameaças de envenenamento em Tacuru.
Servidores públicos municipais admitiram perante autoridades a autoria de áudios que continham ameaças e ofensas contra comunidades indígenas em Mato Grosso do Sul, conforme informações divulgadas neste final de semana. O caso, que é investigado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, ganhou repercussão após o segundo turno das eleições presidenciais, intensificando a mobilização de órgãos de segurança e de uma comitiva de ministros que visitou o estado.
As gravações começaram a circular em aplicativos de mensagens logo após o pleito. Em um dos áudios atribuídos a um funcionário da prefeitura de Tacuru, há menção à possibilidade de colocar veneno na água consumida pelos moradores da Aldeia Sassoró, além de expressões de violência extrema. Outro arquivo registra ofensas e provocações direcionadas aos indígenas em decorrência do resultado eleitoral.
Segundo a Polícia Federal, as pessoas apontadas como responsáveis foram ouvidas e confirmaram a prática dos registros sonoros. Em suas declarações, os envolvidos alegaram que o conteúdo foi motivado por consumo de bebida alcoólica e pelo acirramento político pós-eleição, sustentando que não teriam a intenção de concretizar as ameaças relatadas.
A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil contabilizou dezenas de denúncias de violência e intimidação no estado no mesmo período, incluindo o incêndio na residência de uma rezadeira de 90 anos na aldeia Jaguapiré, também em Tacuru. Representantes da entidade cobraram rigor na apuração dos fatos e a responsabilização legal dos culpados por crimes de ódio e violação de direitos.
Diante da gravidade dos episódios, uma força-tarefa interministerial foi formada para acompanhar a situação na região sul do estado. Ministros de pastas ligadas aos direitos humanos, igualdade racial e povos indígenas estiveram em solo sul-mato-grossense para dialogar com lideranças locais, ouvir relatos e coordenar ações de proteção e assistência às comunidades afetadas.
Como desdobramento imediato das apurações, a Força Nacional de Segurança Pública foi enviada para realizar patrulhamento em comunidades indígenas do estado por tempo indeterminado. A medida busca garantir a preservação da ordem pública, evitar o escalonamento de conflitos e assegurar a integridade física dos moradores diante do clima de insegurança e apreensão gerado pelas ameaças.
Fontes consultadas
- Força Nacional vai permanecer em aldeias indígenas de MS | G1 g1.globo.com
- Funai pede investigação da PF sobre ameaças e ataques contra indígenas em MS portaldozacarias.com.br
- Proteção aos indígenas avança com Força Nacional e investigação de ameaças boanoticiabrasil.com.br
- PF investiga onda de ataques, violência e ameaças contra indígenas após eleição horadopovo.com.br
- MPF e PF apuram denúncias de ataques e ameaças contra indígenas após eleições em MS - Metro 1 metro1.com.br