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Saúde

Sociedade Brasileira de Reumatologia defende inclusão de medicamentos orais na saúde suplementar

Entidade busca ampliar o acesso de pacientes a tratamentos com moléculas-alvo específicas, visando maior equidade entre os sistemas público e privado.

Por 3 min de leitura

Sociedade Brasileira de Reumatologia defende inclusão de medicamentos orais na saúde suplementar
Sociedade Brasileira de Reumatologia defende inclusão de medicamentos orais na saúde suplementar

A Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) intensificou as articulações para promover a inclusão de medicamentos orais com moléculas-alvo específicas no rol de cobertura dos planos de saúde. Segundo o presidente da entidade, Valderílio Azevedo, a medida é fundamental para reduzir a disparidade de acesso entre o Sistema Único de Saúde (SUS) e a saúde suplementar, onde o tratamento de doenças como a artrite reumatoide enfrenta barreiras significativas.

Atualmente, o SUS disponibiliza uma gama mais ampla de terapias, incluindo produtos biológicos e medicações orais, enquanto os planos de saúde ainda restringem o acesso a essas tecnologias. A SBR planeja dialogar com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para discutir a incorporação dessas moléculas, buscando um equilíbrio que garanta o atendimento aos pacientes sem comprometer a sustentabilidade financeira do sistema privado.

Azevedo ressalta que a estratégia da SBR envolve uma atuação conjunta com órgãos como o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Médica Brasileira (AMB). O objetivo é aperfeiçoar as regulamentações vigentes para que as negociações de preços, que no SUS ocorrem em larga escala e com condições mais favoráveis, possam ser otimizadas também no setor suplementar, beneficiando o consumidor final.

Em relação aos medicamentos biossimilares, o presidente da SBR destaca que o Brasil avançou consideravelmente na última década. Com cerca de 70 produtos aprovados, esses fármacos desempenham um papel crucial na redução de custos e na sustentabilidade do sistema de saúde. Azevedo enfatiza que a recente atualização da Anvisa sobre a intercambialidade de biossimilares representa um marco importante, conferindo maior segurança jurídica e clínica para a substituição de medicamentos sem prejuízo à eficácia ou segurança do paciente.

Apesar dos avanços, o especialista aponta que ainda falta uma política de comunicação mais assertiva para esclarecer a população e a classe médica sobre a eficácia dos biossimilares. O médico compara o cenário atual ao período de implementação dos genéricos no final da década de 90, destacando que, embora a regulação dos biossimilares seja ainda mais rigorosa devido à exigência de ensaios clínicos, a resistência inicial ainda precisa ser superada por meio de campanhas educativas.

O futuro da medicina, segundo Azevedo, caminha para a personalização dos tratamentos. A evolução em áreas como genômica e proteômica permitirá identificar marcadores específicos para orientar a escolha terapêutica de forma individualizada. Essa transição, já observada na oncologia, começa a ganhar força no tratamento de doenças autoimunes, prometendo resultados mais precisos e eficientes na próxima década.

Por fim, a SBR defende que a economia gerada pela adoção de biossimilares e pela otimização das compras no setor privado deve ser reinvestida na incorporação de novas tecnologias, como as terapias gênicas e celulares. O Brasil, por meio de parcerias para o desenvolvimento produtivo, possui infraestrutura para se tornar uma referência global no setor, desde que as políticas públicas continuem a incentivar a inovação e o acesso equitativo aos novos tratamentos.

Fontes consultadas

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