Soja interrompe queda em Chicago, mas novembro fecha com perdas
Contratos futuros registraram alta pontual no último pregão de outubro, mas o balanço semanal e mensal continuou negativo no mercado internacional.
Os preços futuros da soja encerraram a sexta-feira com movimentações mistas na Bolsa de Chicago, no último pregão do mês de outubro. O contrato com vencimento para novembro de 2026 conseguiu interromper uma sequência de quatro sessões consecutivas de perdas, mas a recuperação foi insuficiente para reverter a pressão acumulada ao longo da semana e do período.
O principal contrato encerrou a sessão cotado a US$ 12,2225 por bushel, registrando uma valorização de 0,20%. No entanto, no balanço semanal, os principais vencimentos registraram perdas generalizadas, com o contrato de novembro acumulando uma desvalorização de 2,73% em relação à semana anterior.
A recuperação discreta ocorreu após um período de intensa pressão sobre as cotações, impulsionada pelo avanço da colheita nos Estados Unidos e pelas perspectivas em torno da oferta da América do Sul. De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, os produtores norte-americanos já haviam colhido 79% da área cultivada com soja até o final de outubro, superando a média histórica dos últimos cinco anos.
No lado da demanda, os números de exportação dos Estados Unidos continuaram firmes, com destaque para as compras da China, que representaram a maior parte do volume comercializado no período. Contudo, analistas apontam que a manutenção das tarifas chinesas sobre o grão norte-americano e a revisão das expectativas de produtividade limitam o potencial de alta dos preços em Chicago.
Especialistas do setor avaliam que o reposicionamento dos investidores no mercado futuro também contribuiu para o cenário recente. Fundos de investimento têm reduzido posições compradas construídas anteriormente, à medida que o mercado reavalia os fundamentos da oferta global e os riscos geopolíticos.
No Brasil, a volatilidade do dólar frente ao real movimentou a comercialização interna ao longo da semana. A valorização da moeda norte-americana abriu oportunidades para negócios da safra futura com preços superiores às referências anteriores, estimulando vendas por parte de produtores que buscavam antecipar recursos.
Apesar das oportunidades geradas pelo câmbio, o mercado brasileiro permanece atento ao desenvolvimento da safra 2026/27. Condições climáticas desfavoráveis, como o excesso de chuvas em algumas áreas do Sul e a irregularidade de precipitações no Centro-Norte, continuam no radar dos produtores e analistas para a formação dos preços futuros.