Spas para bebês ganham espaço como alternativa de lazer e relaxamento
Centros oferecem banhos terapêuticos e massagens, mas especialistas alertam que atividades devem ser vistas apenas como entretenimento.
Os chamados spas para bebês têm se tornado uma opção crescente para pais que buscam momentos de relaxamento e estímulo para seus filhos. Esses estabelecimentos oferecem uma estrutura planejada com banheiras adaptadas, iluminação suave e sessões de massagem, visando proporcionar bem-estar aos recém-nascidos e crianças de até dois anos de idade.
A fundadora do Baby Spa de São Paulo, a médica Melissa Olmos Chávez, explica que o conceito, originário do Kosovo, busca criar um ambiente controlado para os pequenos. Segundo ela, cada detalhe, desde a temperatura da água até as manobras de massagem, é pensado para garantir a segurança e o conforto, utilizando sistemas de purificação por ozônio e jatos suaves que não assustam a criança.
Para muitas famílias, a experiência é vista como uma forma de fortalecer o vínculo e proporcionar momentos de tranquilidade. Yasmin de Vasconcelos Nunes dos Santos, mãe de Henry, de dois meses, relata que buscou o serviço para amenizar a irritação do filho após as vacinas. Ela descreve o momento na hidroterapia como uma memória marcante da maternidade, destacando a receptividade do bebê ao ambiente.
Além do relaxamento, alguns espaços incluem atividades sensoriais baseadas em metodologias que estimulam o desenvolvimento neuropsicomotor. Nirvana Albuquerque, fundadora do Shanti Baby Spa, em Fortaleza, afirma que sua motivação foi criar um local que proporcionasse conexão entre pais e filhos, suprindo uma demanda por espaços voltados ao desenvolvimento infantil.
Apesar da popularidade, especialistas em pediatria ressaltam que essas iniciativas devem ser tratadas como entretenimento e não como tratamentos de saúde. O pediatra Daniel Becker observa que os bebês não possuem entendimento das técnicas aplicadas e que não há evidências de benefícios a longo prazo. Ele reforça que o carinho dos pais e um banho tranquilo em casa são suficientes para o bem-estar da criança.
A pediatra Ana Carolina Viegas corrobora essa visão, enfatizando que não existem comprovações científicas robustas de que a frequência nesses locais produza efeitos duradouros no sono, na imunidade ou no desenvolvimento neurológico. Ela ressalta que a rotina saudável e o contato direto com os pais são as formas mais eficazes de promover o desenvolvimento infantil.
A segurança é outro ponto fundamental levantado pelos especialistas. O médico Daniel Becker alerta que, independentemente do ambiente, a criança nunca deve ser deixada sem acompanhamento durante o banho. A prática, portanto, deve ser encarada pelas famílias como uma atividade de lazer opcional, sem a necessidade de ser equiparada a procedimentos terapêuticos clínicos.
Fontes consultadas
- Banheira instagramável, banho terapêutico e massagens: como são os spas para bebês que estão ganhando as redes sociais oglobo.globo.com
- Avó viraliza com truque para daminha entrar em casamento, no RJ revistacrescer.globo.com
- Não sabe o que pedir à Alexa? Veja 20 comandos curiosos para testar techtudo.com.br
- Destaques do Diário Oficial da União - Imprensa Nacional in.gov.br