Superintendente da Susep aponta oportunidades na previdência privada
Alessandro Octaviani defendeu a expansão do setor de seguros e previdência como pilar fundamental para o desenvolvimento econômico do país durante evento em São Paulo.
A redução da lacuna securitária e a ampliação da proteção patrimonial e da previdência privada no Brasil representam grandes oportunidades para o fortalecimento da economia nacional. A avaliação foi feita por Alessandro Octaviani, superintendente da Superintendência de Seguros Privados (Susep), durante participação como principal palestrante no primeiro dia do evento CQCS Inovação 2026, realizado nesta quarta-feira (4) no Transamerica Expo Center, na capital paulista.
Durante sua apresentação, o superintendente destacou que o mercado brasileiro de seguros e previdência conta atualmente com aproximadamente R$ 2,2 trilhões em provisões técnicas. Embora tenha elogiado os índices consistentes de crescimento registrados nos últimos anos, Octaviani chamou a atenção para a parcela expressiva da população que ainda permanece desprotegida, evidenciando a existência de uma grande lacuna na sociedade.
Para dimensionar o problema, o executivo utilizou como exemplo os impactos das enchentes recentes no Rio Grande do Sul. Segundo os dados apresentados, enquanto os prejuízos totais no estado foram estimados em cerca de R$ 100 bilhões, as indenizações pagas pelas seguradoras alcançaram aproximadamente R$ 6 bilhões, o que demonstra uma lacuna securitária de cerca de 94% nesse evento específico de grande proporção.
Apesar da disparidade entre as perdas econômicas e as coberturas vigentes, a Susep avalia o cenário não apenas como um desafio, mas como um mercado potencial a ser desenvolvido. De acordo com o superintendente, a expansão da previdência privada e dos seguros é parte de um projeto mais amplo de desenvolvimento nacional, que envolve a capacidade de empresas e o mutualismo em benefício de toda a economia brasileira.
O executivo também pontuou quatro bases legislativas recentes que, em sua visão, estruturam a expansão do setor para as próximas décadas. Entre as iniciativas citadas estão a nova Lei do Contrato de Seguro, a Lei Complementar 213, a nova legislação voltada para o seguro rural e as modificações na disciplina tributária aplicada aos resseguradores locais.
Sobre a Lei Complementar 213, Octaviani ressaltou a entrada de novos participantes na oferta de proteção patrimonial mutualista, o que pode estimular a concorrência e gerar novas parcerias entre empresas, cooperativas e administradoras. Já no caso dos resseguradores locais, o superintendente enfatizou a importância dupla de atuar na dispersão de riscos e na formação de poupança de longo prazo para a economia do país.