Modelo estatístico prevê resultado eleitoral com precisão no início da apuração
Ferramenta desenvolvida por pesquisador brasileiro utilizou dados históricos e regressão estatística para antecipar a vitória presidencial em 2026.
Um modelo estatístico criado pelo economista Rodrigo Mehlmeister antecipou o resultado do segundo turno da eleição presidencial brasileira de 2026 quando apenas uma parcela mínima das urnas havia sido apurada. A projeção indicou a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva com 51,7% dos votos válidos às 19h30, no momento em que cerca de 5% da apuração total havia sido concluída. O resultado oficial anunciado pelo Tribunal Superior Eleitoral às 21h08 confirmou a tendência ao registrar 51,79% para o presidente eleito.
Formado em Economia e mestre em Ciência Política pela Universidade de São Paulo, Mehlmeister atua atualmente como doutorando em Ciência Política na Universidade Duke, nos Estados Unidos. O pesquisador relatou que o momento mais delicado ocorreu no início da noite de domingo, quando a divulgação dos dados nacionais ficou temporariamente suspensa em 0,25%. Mesmo com uma amostra reduzida, o sistema já sinalizava a vantagem de Lula, embora o criador mantivesse cautela quanto à confiabilidade inicial.
A metodologia empregada não recorre a técnicas inéditas, baseando-se em conceitos fundamentais de econometria, como a análise de regressão, combinados com abordagens inspiradas em modelos hierárquicos bayesianos e adaptados à realidade eleitoral do país. O processo começa antes do dia da votação, com o pareamento entre os locais de votação atuais e os da eleição anterior, de 2022, estabelecendo perfis detalhados que consideram o histórico e o porte dos municípios.
Durante a apuração oficial, o sistema compara o desempenho parcial de cada cidade com o cenário hipotético de repetição do pleito passado. A variação constatada, conhecida tecnicamente como swing, é integrada por meio de regressões em três níveis distintos: nacional, regional e estadual. Conforme os novos votos chegam, o modelo atualiza as regras esperadas de votação para as demais seções que ainda permanecem sem contagem.
Para aprimorar a ferramenta, o pesquisador contou com o auxílio da inteligência artificial Claude na limpeza e otimização do código computacional, o que reduziu a margem de erro inicial de 3% para menos de 0,1%. O sistema também incorporou as pesquisas eleitorais tradicionais exclusivamente como ponto de partida antes do início da abertura das urnas, mas os dados reais rapidamente superaram essa referência inicial à medida que a apuração avançava.
O sucesso da ferramenta despertou interesse e resultou em uma parceria com o jornal O Estado de S. Paulo para a exibição de projeções em tempo real. O desempenho da técnica reforçou a eficácia de modelos matemáticos baseados em dados históricos observados, enquanto Mehlmeister planeja formalizar a metodologia em um artigo científico para incentivar novos estudos na área.