Testosterona baixa: entenda causas, sintomas e riscos da reposição
Queda nos níveis hormonais afeta homens e mulheres, exigindo diagnóstico médico adequado para evitar complicações.
A testosterona é amplamente associada ao desejo sexual e à massa muscular, mas suas funções no organismo vão muito além, abrangendo a manutenção da força, da saúde óssea e o metabolismo de gorduras em homens e mulheres. A partir dos 30 anos, os níveis do hormônio costumam sofrer uma redução gradual de cerca de 1% ao ano, com quedas mais acentuadas após os 50 anos, embora o envelhecimento não seja o único fator determinante para o problema.
Segundo dados da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, cerca de 25% dos homens apresentam quadros leves ou moderados de testosterona baixa. Os sinais clínicos variam conforme o indivíduo e podem incluir diminuição da libido, disfunção erétil, fadiga, alterações de humor, irritabilidade, quadros depressivos, perda de força e massa muscular, aumento da gordura corporal e dificuldades de concentração.
Especialistas apontam que o estilo de vida desempenha um papel fundamental na regulação hormonal. O sedentarismo, o tabagismo, o consumo excessivo de álcool, a má qualidade do sono e uma alimentação inadequada podem acelerar a queda da testosterona, inclusive em indivíduos mais jovens. O excesso de gordura corporal, especialmente na região abdominal, também contribui para o problema, pois favorece a conversão do hormônio em estrogênio.
Além do envelhecimento e dos hábitos diários, determinadas condições médicas estão associadas à deficiência hormonal. Entre elas destacam-se o diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, obesidade, apneia do sono, varicocele e tumores testiculares. As manifestações muitas vezes se desenvolvem de forma lenta e acabam sendo confundidas com o estresse cotidiano e a rotina exaustiva.
O diagnóstico da testosterona baixa não deve se basear exclusivamente em exames de sangue, mas sim na associação entre os resultados laboratoriais e a avaliação clínica realizada por urologistas ou endocrinologistas. Conforme normas da Sociedade Brasileira de Urologia, a reposição hormonal pode ser indicada para homens que apresentam falta de libido e dificuldades de ereção associadas a taxas hormonais inferiores a 300.
O tratamento de reposição pode ser administrado por meio de géis ou injeções, sendo a via oral desaconselhada devido à absorção irregular e ao metabolismo hepático. No entanto, especialistas alertam que a prática não deve ser realizada sem acompanhamento médico ou em doses excessivas, pois o uso indiscriminado pode causar efeitos colaterais como acne, retenção de líquidos, distúrbios na próstata e agravamento da apneia do sono, além de riscos cardiovasculares em tratamentos prolongados.
Para preservar níveis mais saudáveis do hormônio e atenuar a queda associada à idade, médicos recomendam a adoção de hábitos preventivos. Praticar atividades físicas regulares, como a musculação, manter uma dieta equilibrada, controlar o estresse, dormir adequadamente e evitar o tabumo e o consumo excessivo de álcool são medidas essenciais para a saúde metabólica e hormonal.
Fontes consultadas
- Testosterona baixa após os 50: o que aumenta o risco e o que fazer uol.com.br
- Cansaço, irritação e falta de libido? Hormônios dos homens também oscilam e podem afetar o dia a dia correio24horas.com.br
- Saúde: por que todos nós precisamos de gordura corporal - BBC News Brasil bbc.com
- Isabela Bussade alerta para uso excessivo de suplementos e hormônios sem acompanhamento médico folhape.com.br