Trump ameaça destruir o resto do Irã em meio a negociações nucleares
O presidente dos Estados Unidos afirmou que o Irã não poderá avançar em seu programa nuclear sem a aprovação americana.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a fazer ameaças ao Irã nesta quinta-feira e declarou que talvez precise destruir o que restou do território iraniano. A declaração foi dada a jornalistas no Salão Oval da Casa Branca, quando o republicano foi questionado sobre propostas de mediadores para um acordo sobre o programa nuclear do país do Oriente Médio.
Segundo o chefe da Casa Branca, Teerã não poderá tomar nenhuma iniciativa relacionada ao seu programa nuclear sem a anuência dos Estados Unidos. "Eu preferiria não destruir o resto do país, se possível, mas talvez eu tenha que fazê-lo. Vocês saberão em breve", afirmou o presidente estadunidense, deixando em aberto os próximos passos da ofensiva militar.
A nova ameaça ocorre em um momento de desgaste político para a administração americana. Na terça-feira anterior, os Estados Unidos realizaram eleições de meio de mandato que resultaram na perda do controle do Partido Republicano sobre a Câmara dos Representantes e o Senado, em um movimento político amplamente descrito pela imprensa local como uma onda azul em favor do Partido Democrata.
Na quarta-feira, Trump admitiu publicamente que o conflito no Oriente Médio influenciou o desempenho eleitoral de sua legenda, apontando os reflexos econômicos negativos da guerra. No entanto, o presidente defendeu a ofensiva militar, iniciada em conjunto com Israel em 28 de fevereiro, reiterando que a ação era inevitável para impedir que o governo iraniano desenvolvesse armas nucleares.
A intervenção militar gerou forte pressão sobre a economia dos Estados Unidos, provocando disparada nos preços dos combustíveis e elevação geral no custo de vida. Fontes do Pentágono estimam que as operações já tenham custado até US$ 100 bilhões aos cofres públicos norte-americanos.
Uma pesquisa realizada pela Reuters/Ipsos antes das eleições legislativas apontou que o custo de vida era a principal preocupação para 48% dos eleitores. O levantamento também revelou insatisfação popular com a operação militar, com 55% dos entrevistados avaliando que o conflito não compensou os custos financeiros e sociais, enquanto apenas 25% consideraram a ação válida e 18% não souberam responder.
Apesar de declarações anteriores sobre um possível desfecho rápido para o conflito e de uma tentativa frustrada de cessar-fogo, as hostilidades persistem. Enquanto autoridades iranianas indicam que as partes permanecem distantes de um acordo diplomático, o governo dos Estados Unidos mantém a pressão militar e econômica sobre o regime de Teerã.