Trump suspende sanções contra a Rússia e critica líder ucraniano
Decisão ocorre em meio a acordo de compra de diesel e intensificação de ataques russos à infraestrutura energética da Ucrânia.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, suspendeu um novo e abrangente pacote de sanções contra a Rússia sob a justificativa de atender ao interesse nacional. A legislação, que havia sido aprovada no Congresso norte-americano, entraria em vigor recentemente e previa restrições contra autoridades, bancos, navios e tarifas de até 100% sobre importadores de petróleo e gás natural russo, com o objetivo de conter os recursos financeiros que financiam o conflito na Ucrânia.
A medida gerou repercussão imediata no cenário internacional. Kirill Dmitriev, enviado presidencial russo, celebrou a decisão nas redes sociais e classificou a suspensão como um momento histórico para as relações bilaterais entre as nações.
Por outro lado, o governo da Ucrânia reprovou a medida. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, classificou a suspensão das restrições como lamentável e reforçou o pedido por novas sanções contra Moscou. O apelo ocorreu no mesmo dia em que a Ucrânia sofreu um ataque em larga escala contra sua infraestrutura energética.
Segundo autoridades ucranianas, a Rússia atingiu mais de 15 instalações de energia no país durante uma ofensiva noturna que envolveu dezenas de mísseis e centenas de drones. As defesas locais afirmam ter neutralizado grande parte dos artefatos, mas os bombardeios intensificam a preocupação com o abastecimento elétrico às vésperas do inverno.
A suspensão das sanções norte-americanas coincide com críticas públicas de Donald Trump ao presidente da Ucrânia. Diante da proximidade das eleições de meio de mandato, o republicano culpou os ataques ucranianos contra refinarias russas pelo encarecimento da energia, fator que poderia ameaçar sua maioria no Legislativo, e chegou a declarar publicamente que a Ucrânia precisa de um novo líder.
A revogação das penalidades também acontece logo após os Estados Unidos firmarem um acordo para a compra de diesel russo, em uma tentativa de conter os preços globais da energia. O pacto prevê o fornecimento imediato de centenas de milhares de toneladas métricas do combustível, com entregas maiores programadas para os próximos meses.
O acordo com Moscou atraiu forte oposição de parlamentares norte-americanos, incluindo membros do próprio partido de Trump, que exigiram a revogação do entendimento. Em encontro com líderes europeus em Bruxelas, Zelensky também criticou o pacto comercial, afirmando que a medida permitirá que o fluxo de recursos financeiros volte a beneficiar a economia russa.