Pular para o conteúdo
Mundo

Ucrânia e Rússia iniciam retirada de civis em Oleshky sob trégua

Operação humanitária inédita permitiu a saída de moradores em área ocupada após cessar-fogo intermediado pelos Estados Unidos.

Por 2 min de leitura

Ucrânia e Rússia iniciam retirada de civis em Oleshky sob trégua
Ucrânia e Rússia iniciam retirada de civis em Oleshky sob trégua

Moradores da cidade de Oleshky, localizada no sul da Ucrânia e ocupada pelas forças russas, começaram a deixar a região nesta sexta-feira em decorrência de um cessar-fogo local. A trégua permitiu a entrada de um comboio humanitário com suprimentos essenciais e a abertura de um corredor para a retirada de civis que desejavam partir.

Desde o início do conflito em fevereiro de 2022, a população local despencou drasticamente de mais de 24 mil para aproximadamente 2 mil habitantes. Os moradores enfrentavam condições extremas de sobrevivência, relatando escassez grave de alimentos que os obrigou a caçar pombos e a atravessar rotas perigosas repletas de minas terrestres, rotas essas conhecidas localmente como "estrada da morte", em busca de mantimentos.

O cessar-fogo, considerado o mais longo já registrado em uma zona de linha de frente, mobilizou 25 ônibus e nove ambulâncias. Os civis foram inicialmente levados para a Crimeia. A partir dali, aqueles que optaram por retornar ao território ucraniano iniciaram um trajeto complexo de mais de 1.600 quilômetros, passando por Anapa na Rússia, voando para Belarus e cruzando a fronteira de ônibus.

Autoridades dos dois países protagonizaram uma demonstração incomum de cooperação durante a operação. A comissária russa de direitos humanos, Yana Lantratova, e o representante ucraniano Dmytro Lubinets apareceram lado a lado conversando com moradores e acompanhando o embarque nos veículos. Apesar do gesto conjunto, o Kremlin evitou tratar o episódio como um sinal de avanço para negociações de paz mais amplas.

Apesar da trégua pontual em Oleshky, os confrontos armados continuaram em outras regiões ucranianas. Ataques russos durante a madrugada atingiram diversas áreas, deixando cerca de 200 mil residências sem energia elétrica em Dnipro, cidade onde um bombardeio com drone na véspera vitimou fatalmente ao menos 15 pessoas em uma plataforma ferroviária. Do lado russo, autoridades relataram ataques ucranianos a refinarias de petróleo.

A iniciativa humanitária contou com a articulação diplomática da primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, cujo esforço foi elogiado por lideranças de Kiev e Moscou. O movimento ocorre em um momento em que ambos os lados buscam manter alinhamento favorável à diplomacia americana, antes da retomada prevista de negociações de paz mediadas pelos Estados Unidos.

Fontes consultadas

Leia também