Zelensky se reúne com aliados na Europa após atrito com Donald Trump
Presidente ucraniano busca apoio de líderes europeus e anuncia retomada de ataques a refinarias russas.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, reuniu-se nesta quinta-feira (15) em Bruxelas com líderes da União Europeia e da Otan para buscar apoio político e militar, em meio a uma grave crise diplomática com os Estados Unidos. A ofensiva ocorre após Kiev decidir romper o cessar-fogo energético e retomar ataques contra refinarias russas, motivada pela continuidade dos bombardeios de Moscou contra infraestruturas civis ucranianas.
A relação entre Kiev e Washington azedou recentemente depois que o presidente norte-americano, Donald Trump, celebrou um acordo para comprar diesel da Rússia e sugeriu publicamente a substituição de Zelensky. O líder ucraniano classificou o pacto econômico norte-americano como um presente para Vladimir Putin, gerando forte reação da Casa Blanca e o congelamento temporário de serviços de satélite essenciais para as forças de defesa ucranianas.
Durante a cúpula europeia, Zelensky conversou com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, e com o presidente francês, Emmanuel Macron. O chefe de Estado da França afirmou ser crucial fornecer à Ucrânia todos os meios necessários para proteger sua população e infraestruturas civis diante da escalada russa. Outros líderes do continente, como o primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, também reforçaram publicamente a solidariedade ao governo ucraniano.
Nos últimos dias, a Rússia intensificou de forma drástica os ataques aéreos com centenas de drones e mísseis contra dezenas de regiões ucranianas, atingindo centrais elétricas e instalações de energia. Autoridades locais relataram mortes, feridos e apagões generalizados em cidades como Lutsk e Kiev. O Kremlin acusou a Ucrânia de sabotar os esforços de paz negociados pelos Estados Unidos ao insistir nas ações de retaliação contra o setor petrolífero russo.
A tensão também envolveu falhas recentes no sistema de satélites Starshield, utilizado pelas forças ucranianas para coordenar defesas e interceptar ataques. Enquanto Kiev e aliados apontaram pressões de Washington e da SpaceX para limitar a velocidade dos terminais como forma de punição, o bilionário Elon Musk atribuiu o controle e eventuais restrições diretamente ao governo dos Estados Unidos e aos militares norte-americanos.
Antes de chegar à Bélgica, Zelensky obteve forte respaldo político em Londres, onde se reuniu com o primeiro-ministro britânico e com a realeza. O Reino Unido condenou o acordo de diesel entre Washington e Moscou e anunciou novos pacotes de ajuda financeira urgente com mísseis antiaéreos para conter os drones inimigos. Apesar do cenário desafiador e do isolamento temporário imposto pela administração americana, o líder ucraniano reiterou que seu país continuará resistindo à invasão russa.
Fontes consultadas
- Emmanuel Macron réaffirme son soutien à l’Ukraine après un entretien avec Volodymyr Zelensky cnews.fr
- Zelensky openly defies Trump’s ban on Russian oil refinery strikes, Ukraine will resume attacks nypost.com
- Volodymyr Zelensky defies Donald Trump with major attack on Russian refinery mirror.co.uk
- Zelensky rallies European allies as Trump ties slump yahoo.com
- Brigado com Trump, Zelensky deve participar de cúpula da UE na Bélgica | CNN Brasil cnnbrasil.com.br