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Brasil

Ameaças de facção criminosa paralisam venda de água no Ceará

Forças de segurança organizaram uma operação emergencial com escolta policial em Banabuiú após comerciantes sofrerem extorsões e suspenderem o fornecimento de garrafões.

Por 3 min de leitura

Ameaças de facção criminosa paralisam venda de água no Ceará
Ameaças de facção criminosa paralisam venda de água no Ceará

As forças de segurança do Ceará intensificaram a atuação na cidade de Banabuiú, localizada no Sertão Central do estado, após criminosos ameaçarem comerciantes locais e provocarem a suspensão na venda de água mineral. A mobilização envolve escolta policial para garantir o abastecimento essencial à população, que conta com cerca de 17 mil habitantes e fica a aproximadamente 220 quilômetros de Fortaleza.

A crise no fornecimento começou quando comerciantes locais, tomados pelo medo de represálias, decidiram paralisar a comercialização de garrafões. A situação exigiu uma resposta rápida do poder público estadual para evitar o desabastecimento em uma região que já enfrenta desafios climáticos e socioeconômicos característicos do interior nordestino.

Desde o final de outubro de 2026, equipes da Polícia Militar passaram a acompanhar diretamente os servidores da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece). A operação tem como objetivo principal dar suporte logístico e segurança durante a distribuição dos insumos essenciais para os moradores afetados pela paralisação do comércio local.

Em nota oficial divulgada à imprensa, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social detalhou a operação de suporte. Conforme o órgão estadual, a Cagece realiza a coleta dos garrafões diretamente com os fornecedores autorizados e executa o transporte seguro até o município, onde os itens são comercializados com o respaldo das forças policiais.

As ameaças que paralisaram o comércio começaram a circular na cidade após indivíduos que se identificavam como integrantes do Comando Vermelho exigirem que a continuidade das vendas de água passasse pelo aval do grupo criminoso, mediante o pagamento de taxas semanais ilegais que variavam de R$ 200 a R$ 750.

O clima de terror imposto pelos criminosos gerou forte repercussão e apreensão entre os moradores. Registros em vídeo que circularam amplamente mostraram extensas filas de cidadãos aguardando na Praça da Igreja Matriz para conseguir encher seus recipientes e garantir o consumo básico. A falta de água também obrigou uma escola pública a suspender as aulas temporariamente.

Como desdobramento das ações de inteligência e ostensivas, o patrulhamento na região foi reforçado. Três suspeitos apontados como integrantes do braço local da facção criminosa foram detidos pelas autoridades policiais, em uma ofensiva que resultou na apreensão de um revólver calibre .38, munições, dinheiro em espécie, celulares e um notebook.

As investigações conduzidas pela Polícia Civil também conseguiram mapear a suposta liderança por trás das intimidações. Os levantamentos indicam que o mandante das ameaças estaria homiziado no Rio de Janeiro, o que motivou o estabelecimento de cooperação técnica e operacional entre as polícias civis do Ceará e do Rio de Janeiro para viabilizar a captura do suspeito.

Fontes consultadas

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