Ataques cibernéticos atingem sistemas de refrigeração em supermercados na Europa
Invasões remotas elevaram temperaturas de freezers e geladeiras em diversos países, resultando na perda de alimentos perecíveis e prejuízos financeiros para grandes redes varejistas.
Uma onda de ataques cibernéticos direcionada a sistemas de refrigeração afetou supermercados em vários países da Europa. Hackers interferiram remotamente nos controles de temperatura de freezers e geladeiras em lojas na Suécia, Bélgica, Luxemburgo, Irlanda, Estônia, Holanda e Finlândia, obrigando os comerciantes a descartar estoques inteiros de alimentos perecíveis.
O incidente ocorreu após unidades de refrigeração sofrerem alterações indesejadas em suas configurações, elevando bruscamente as temperaturas internas. Em algumas localidades suecas, os termômetros dos freezers alcançaram a marca de 50 graus Celsius. Entre as redes varejistas atingidas estão a ICA e a Coop, na Suécia, a Colruyt e a Ahold Delhaize na Bélgica e Luxemburgo, além da Carrefour, IKEA e o grupo irlandês Musgrave.
A escala dos danos variou conforme o estabelecimento. Enquanto algumas lojas conseguiram isolar os equipamentos e limitar as perdas rapidamente, outras relataram prejuízos expressivos devido à deterioração total de carnes, laticínios e produtos congelados. Um açougueiro independente na Bélgica estimou perdas de cerca de 15 mil euros, e uma filial da Delhaize calculou danos de aproximadamente 100 mil euros em mercadorias.
Especialistas apontam que a vulnerabilidade decorre do uso de tecnologia operacional conectada à internet para monitoramento e manutenção remota. Quando painéis de controle e controladores de temperatura ficam expostos na rede sem a devida proteção, invasores conseguem manipular ciclos de descongelamento ou acionar sistemas de aquecimento à distância, transformando dispositivos essenciais para a conservação de alimentos em fontes de calor.
O comissário europeu para Agricultura e Alimentos, Christophe Hansen, classificou a ação como um ato de sabotagem e um esforço deliberado para desestabilizar a cadeia de suprimentos da União Europeia e abalar a confiança dos consumidores. A promotoria da Bélgica abriu uma investigação criminal para apurar o caso, enquanto autoridades de segurança cibernética em vários países monitoram a situação.
O episódio atual recorda um ataque cibernético semelhante ocorrido em outubro na França, que também provocou picos de temperatura e princípios de incêndio em centenas de supermercados. Investigadores ainda não confirmaram se há ligação direta entre as duas ocorrências ou se foram executadas pelos mesmos grupos, visto que nenhuma organização reivindicou a autoria dos ataques até o momento.
Diante das falhas repetidas, companhias e prestadoras de serviços de refrigeração trabalharam durante a madrugada para desconectar equipamentos vulneráveis e implementar defesas temporárias. Especialistas em segurança recomendam que as empresas reforcem o controle de acesso remoto, atualizem softwares defasados e substituam dispositivos que não recebem mais patches de segurança.