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Brasil

Atuação da PM em surtos psiquiátricos é criticada após mortes

Casos recentes em São Paulo reacendem debates sobre o uso de força letal e protocolos inadequados em ocorrências envolvendo saúde mental.

Por 2 min de leitura

Atuação da PM em surtos psiquiátricos é criticada após mortes
Atuação da PM em surtos psiquiátricos é criticada após mortes

A morte de três pessoas em surto psiquiátrico durante intervenções da Polícia Militar de São Paulo em menos de duas semanas levantou questionamentos severos sobre a atuação da corporação em ocorrências dessa natureza. Casos como os de Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, Camila Pereira da Silva, de 32, e Antônio Nunes Batista, de 40, reacenderam as cobranças por treinamentos adequados e protocolos integrados com os serviços de saúde.

Familiares das vítimas denunciam o despreparo e o uso desproporcional da força por parte dos agentes durante os atendimentos. O secretário de Segurança Pública do estado, Osvaldo Nico Rodrigues, defendeu as ações e argumentou que houve enfrentamento direto contra a vida dos policiais. Em contrapartida, especialistas em segurança pública e saúde mental reforçam que ocorrências desse tipo exigem suporte conjunto da assistência social e priorização de técnicas de menor potencial ofensivo.

No caso de Gustavo Munis, ocorrido no início de outubro na região de Moema, quatro policiais foram acionados para uma tentativa de suicídio. A perícia constatou que o jovem fazia tratamento psiquiátrico e apontava um aparelho celular para os agentes, que efetuaram 45 disparos em menos de cinco segundos, atingindo-o com 27 tiros. Os policiais envolvidos foram afastados das ruas e podem responder criminalmente.

Situações semelhantes ocorreram na Zona Norte da capital paulista com Antônio Nunes Batista e Camila Pereira da Silva, ambos também mortos a tiros após abordagens em momentos de crise. O governador Tarcísio de Freitas anunciou que se reunirá com o comando da Polícia Militar para revisar os procedimentos operacionais e evitar novos excessos nas ruas do estado.

A discussão sobre letalidade policial ocorre em um cenário de alta contínua nos registros de mortes em intervenções de agentes de segurança na cidade de São Paulo. Dados do Ministério Público apontam quatro anos consecutivos de crescimento nos óbitos decorrentes de ações policiais no período de janeiro a setembro.

Diante da repercussão dos episódios, defensores de direitos humanos e profissionais da área médica reiteram a necessidade de capacitação contínua e de equipes multidisciplinares para mediar crises psiquiátricas, visando preservar vidas e evitar desfechos letais em ocorrências que demandam atendimento médico especializado.

Fontes consultadas

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