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Brasil

Áudios revelam que presidente da Bamor planejou sessões de tortura na Bahia

Investigação do Ministério Público aponta que dez integrantes da torcida organizada foram presos e denunciados por crimes como tortura, roubo e extorsão.

Por 3 min de leitura

Áudios revelam que presidente da Bamor planejou sessões de tortura na Bahia
Áudios revelam que presidente da Bamor planejou sessões de tortura na Bahia

O presidente da Bamor, principal torcida organizada do Bahia, Matheus Pires Castro, registrou e enviou mensagens de áudio a diretores e membros do grupo convocando-os para sessões de tortura física e psicológica realizadas em julho deste ano, na sede da entidade. O caso veio a público após investigações conduzidas pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA), que resultaram na prisão de dez pessoas em 28 de setembro e na posterior formalização da denúncia criminal no dia 2 de outubro.

De acordo com as apurações do órgão ministerial, pelo menos duas pessoas foram submetidas a longas sessões de violência dentro da sala da diretoria da torcida. As vítimas foram atraídas ao local sob a alegação de prestar esclarecimentos sobre supostas fraudes financeiras envolvendo o sistema de cadastro de associados e serviços de tecnologia. Entre os alvos das agressões estavam um ex-integrante com 18 anos de histórico na torcida e um prestador de serviços.

Os relatórios de extração de dados de celulares apreendidos durante a operação policial detalham o planejamento e a execução das agressões. Em gravações obtidas pelos investigadores, Matheus Castro orientava os participantes a agirem com extrema violência e tentava afastar aqueles que demonstrassem receio das consequências legais. "Amanhã é tirar a saúde dele. Vamos pegar até uns alicates para a gente arrancar as unhas dele", declarou o dirigente em um dos trechos.

Em outras mensagens enviadas em um grupo de WhatsApp composto por diretores, os suspeitos comentaram os resultados dos atos violentos. Ricardo Henrique Almeida da Silva, diretor de marketing da torcida conhecido como "Kakaroto Drt", afirmou em uma mensagem de texto que apenas se arrependia de não ter agredido mais a vítima, vangloriando-se de ter deixado um braço quebrado. Outros membros relataram o uso de barras de ferro, facas e simulações de afogamento.

Além das agressões físicas, que duravam cerca de quatro horas por episódio e incluíam o uso de martelos, alicates e tacos de beisebol, o MP-BA aponta que houve subtração de aparelhos celulares e transferências bancárias forçadas sob ameaça. Uma das vítimas relatou ter tido a senha da conta bancária exigida durante a tortura, resultando na transferência de R$ 5,8 mil para uma conta associada ao grupo.

Após os desdobramentos, o Ministério Público denunciou dez pessoas ligadas à cúpula da Bamor, incluindo o presidente Matheus Pires Castro, o vice-presidente Luciano da Silva Venâncio, diretores de diversas áreas e um policial militar apontado como integrante da torcida. As acusações englobam organização criminosa, tortura, roubo, extorsão e ameaça.

Em nota oficial, a Bamor declarou que respeita o trabalho das autoridades, que não colabora com condutas ilícitas e que defende a apuração individualizada de responsabilidades. Por sua vez, a defesa de Matheus Pires Castro e de Luciano da Silva Venâncio afirmou por meio de nota que ambos são inocentes e que todas as medidas judiciais cabíveis já estão sendo adotadas.

Fontes consultadas

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