Terceiro réu é condenado a 28 anos de prisão pela morte de Mãe Bernadete
Julgamento realizado em Salvador resultou na condenação de Josevan Dionísio dos Santos pelo assassinato da líder quilombola ocorrido em 2023.
O terceiro acusado pela morte da líder quilombola Mãe Bernadete foi condenado a 28 anos de prisão em regime inicial fechado, após julgamento realizado nesta terça-feira no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador. Josevan Dionísio dos Santos é o terceiro dos cinco réus envolvidos no crime a ser submetido ao júri popular.
A sessão foi conduzida pelo 1º Juízo da 1ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Salvador e presidida pela juíza Gelzi Maria Almeida Souza Matos. Durante o procedimento, foram ouvidas testemunhas de acusação e de defesa antes da decisão do Conselho de Sentença.
O advogado de acusação Hédio Silva celebrou o resultado e elogiou o trabalho conjunto da Polícia Civil, do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas e do Ministério Público da Bahia, classificando a base probatória como sólida e irrefutável.
Por outro lado, a defesa de Josevan, representada pelo advogado Danilo Almeida, informou que pretende recorrer da decisão para buscar a anulação do júri e a redução da pena, apontando supostas fragilidades e irregularidades no processo desde a fase de inquérito policial.
Mãe Bernadete foi assassinada em 17 de agosto de 2023 em sua residência. Outros dois réus já haviam sido julgados e condenados anteriormente: Arielson da Conceição dos Santos recebeu pena de mais de 40 anos em abril de 2026, enquanto Marílio dos Santos foi condenado a mais de 29 anos, mas faleceu dias depois do julgamento.
O próximo júri relacionado ao caso está marcado para o dia 21 de outubro de 2026, quando será julgado Sérgio Ferreira de Jesus. O processo referente a Ydney Carlos Santos de Jesus ainda aguarda o trânsito em julgado e não possui data definida.
Durante as discussões sobre os desdobramentos judiciais, a acusação também mencionou a expectativa pelo desarquivamento do caso Binho do Quilombo, assassinado em 2017, apontando possíveis indícios de ligação entre as execuções devido ao modo de operação semelhante nos crimes contra lideranças da região.