Brasileiro é condenado a 12 anos de prisão nos EUA por esquema do PCC
Ygor Fokin Saviolli atuava como gerente de uma rede internacional que movimentou mais de US$ 30 milhões em recursos ilícitos.
A Justiça dos Estados Unidos condenou, na última sexta-feira, o brasileiro Ygor Fokin Saviolli, de 35 anos, a 12 anos de prisão federal por sua participação na liderança de um esquema internacional de lavagem de dinheiro. De acordo com as investigações do Departamento de Justiça americano, a rede criminosa movimentou mais de US$ 30 milhões de origem ilegal, valor que incluía recursos provenientes do narcotráfico e conexões com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
A detenção de Saviolli ocorreu no início de 2023, no Aeroporto de Fort Lauderdale, na Flórida. A análise de dados encontrados em seu aparelho celular permitiu que os investigadores mapeassem a operação financeira clandestina. As informações obtidas nos Estados Unidos foram posteriormente compartilhadas com autoridades brasileiras, subsidiando a deflagração da Operação Exchange pela Polícia Federal.
Segundo os documentos judiciais, Saviolli exercia funções de gerente e supervisor no esquema, além de fornecer aportes financeiros iniciais para viabilizar as operações. A rede contava com couriers e operadores encarregados de recolher grandes montantes de dinheiro em espécie em ao menos 12 cidades americanas — incluindo Chicago, Atlanta, Tampa, Charlotte e Cleveland —, que depois eram depositados em caixas eletrônicos para ocultar a origem dos fundos e enviá-los a contas em Miami.
O esquema utilizava aplicativos de mensagens, como o WhatsApp, para coordenar a logística das entregas, que envolviam a reserva de hotéis e a compra de passagens aéreas. O grupo era comandado à distância por figuras como Victor Henrique Shimada, que no meio do ano passado foi alvo de sanções econômicas inéditas do Departamento do Tesouro dos EUA por laços com o PCC, facção classificada pelo governo americano como organização terrorista.
No final de setembro, outros cinco réus envolvidos na mesma operação, sendo quatro deles brasileiros, também receberam sentenças de prisão que variaram de um a sete anos. Todos os seis acusados optaram por se declarar culpados perante a Justiça americana e assinaram acordos de confissão, revelando detalhes de como o capital ilícito era fracionado, depositado e transferido.
Paralelamente aos desdobramentos judiciais nos Estados Unidos, o governo brasileiro intensificou as ações de combate financeiro ao crime organizado. A Advocacia-Geral da União ajuizou quatro ações civis para recuperar mais de R$ 190 milhões em bens de integrantes do PCC e do Comando Vermelho, utilizando as ferramentas da nova legislação antifacção para desarticular o patrimônio oculto de financiadores e beneficiários do narcotráfico.
Fontes consultadas
- Dia de Sorte hoje: resultado do concurso 1327 e números sorteados | G1 g1.globo.com
- Envolvido em esquema que levou à sanção americana, brasileiro é condenado a 12 anos de prisão nos EUA oglobo.globo.com
- Brasileiro de Orlando é condenado a 12 anos por envolvimento em esquema de lavagem de $ 30 milhões acheiusa.com
- AGU busca recuperar R$ 190 milhões de integrantes do PCC e do CV agenciabrasil.ebc.com.br