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Política

Candidaturas femininas avançam no Congresso em meio a debates sobre misoginia

Representação feminina na Câmara dos Deputados cresce para o próximo mandato, enquanto parlamentares apontam desafios contra discursos antifeministas.

Por 3 min de leitura

Candidaturas femininas avançam no Congresso em meio a debates sobre misoginia
Candidaturas femininas avançam no Congresso em meio a debates sobre misoginia

A Câmara dos Deputados contará com 109 parlamentares mulheres a partir de 2027, superando o total registrado na legislatura anterior, que contava com 91 deputadas. O avanço eleitoral feminino ocorre em um cenário político marcado pelo fortalecimento de bancadas de direita e pela circulação de discursos contrários aos direitos das mulheres, conforme apontado por lideranças políticas e análises recentes.

A deputada federal reeleita Erika Hilton (Psol-SP), que obteve a maior votação da história para a Câmara dos Deputados com quase 1,6 milhão de votos, atribui o resultado das candidaturas progressistas ao reconhecimento de pautas voltadas à melhoria das condições de vida da classe trabalhadora e à defesa contínua de minorias sociais. A parlamentar destacou propostas como o fim da escala de trabalho 6 por 1 e a atuação constante em redes e tribunais.

Apesar do crescimento numérico das mulheres eleitas, que passarão a ocupar 21,2% das 513 cadeiras da Casa, a nova composição do Legislativo federal continuará com ampla maioria conservadora. Desse total de deputadas eleitas, 47 pertencem a partidos de esquerda, enquanto 62 representam legendas de direita, refletindo a pluralidade e a polarização ideológica do eleitorado brasileiro.

Lideranças políticas alertam para um movimento internacional de reação aos direitos conquistados por mulheres e grupos minoritários. Segundo Erika Hilton, governos estrangeiros e corporações de tecnologia impulsionam plataformas que monetizam discursos de ódio e subalternização feminina, redirecionando para as parcelas mais vulneráveis da população a insatisfação gerada pelas crises econômicas e sociais do sistema capitalista.

No âmbito legislativo, o combate à violência de gênero tem gerado intensas disputas institucionais e repercussão na sociedade civil. Recentemente, propostas voltadas à criminalização da misoginia — equiparando a conduta aos crimes previstos na Lei do Racismo — avançaram com a aprovação de regime de urgência na Câmara, após tramitação prévia pelo Senado Federal.

Em paralelo, debates sobre a tipificação e o reconhecimento do feminicídio ganharam forte repercussão pública em decorrência de casos de violência extrema e de declarações de figuras políticas recém-eleitas que questionam a existência dessa categoria criminal específica. Familiares de vítimas e especialistas jurídicos têm enfatizado a importância de políticas públicas focadas na prevenção, na proteção rigorosa às mulheres e na responsabilização dos agressores.

A correlação de forças na nova legislatura impõe desafios adicionais para a aprovação de pautas de proteção social e direitos humanos. Parlamentares progressistas defendem que a mobilização popular contínua nas ruas e nos espaços digitais continuará sendo fundamental para barrar propostas contrárias e assegurar avanços institucionais na próxima legislatura.

Fontes consultadas

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