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Economia

Casas Bahia coloca ex-CFO da Americanas no comando da recuperação judicial

Camille Faria assume as negociações com mais de 28 mil credores em meio a um passivo de R$ 17,3 bilhões.

Por 3 min de leitura

Casas Bahia coloca ex-CFO da Americanas no comando da recuperação judicial
Casas Bahia coloca ex-CFO da Americanas no comando da recuperação judicial

O Grupo Casas Bahia anunciou a contratação de Camille Faria, sócia da Althia Partners e ex-diretora financeira da Americanas, para liderar as negociações com os credores e conduzir o plano de recuperação judicial da companhia. A mudança na liderança das tratativas ocorre poucos dias após a Justiça de São Paulo autorizar o processamento da reestruturação financeira da varejista, que acumula um passivo estimado em R$ 17,3 bilhões.

A nova responsável pelas negociações tem histórico em reestruturações de grande porte no mercado corporativo brasileiro. Camille Faria participou do processo de recuperação da Oi e liderou as negociações com credores durante a recuperação judicial da Americanas, assumindo a diretoria financeira daquela varejista após a revelação de um escândalo contábil. Na Casas Bahia, ela substitui Mateus Tessler na frente das conversas com os credores.

Segundo a empresa, a chegada da executiva acontece de maneira consensual e não altera a estratégia traçada para a reestruturação financeira. A varejista informou que a transição conta com o apoio e o alinhamento do Conselho de Administração e da Mapa Capital, acionista controladora do grupo. O Grupo Casas Bahia declarou em nota que reafirma o compromisso com o diálogo e com a busca por uma solução equilibrada e sustentável para o negócio.

O processo de recuperação judicial envolve um universo complexo de mais de 28 mil credores. A lista inclui desde instituições financeiras de peso até grandes fabricantes de eletrônicos e eletrodomésticos. No topo da relação de débitos está a Zurich Minas Brasil Seguros, com uma quantia de R$ 1,97 bilhão devida pela varejista em decorrência de parcerias na oferta de garantias estendidas e proteções para produtos.

Outros destaques na lista de credores incluem o fundo de investimento IBCB-AF01, com R$ 1 bilhão em aberto, e fabricantes globais de tecnologia e bens de consumo. A Samsung figura com R$ 937,6 milhões a receber, seguida por Electrolux (R$ 700 milhões), Whirlpool (R$ 635,9 milhões), LG (R$ 623,7 milhões) e Motorola (R$ 619 milhões). No setor bancário, o Bradesco lidera com R$ 655,6 milhões devidos, somando os valores direcionados ao banco e à sua controlada Digio, além de passivos com o Banco do Brasil (R$ 598,1 milhões) e o Itaú (R$ 208,3 milhões).

A decisão da Justiça paulista que aprovou o processamento do pedido de recuperação estabeleceu um prazo de trinta dias para que o grupo solucione pendências na documentação apresentada ao tribunal. A juíza responsável pelo caso apontou que os fluxos de caixa das empresas pertencentes ao grupo precisam ser individualizados e que a relação de credores ainda passa por atualizações.

Além disso, a magistrada manteve a proteção de cento e oitenta dias contra a execução de dívidas, medida conhecida como stay period. A proteção havia sido concedida anteriormente em agosto, depois que a companhia admitiu publicamente a ocorrência de uma corrida de credores contra o patrimônio do negócio logo após o início do processo de recuperação.

Fontes consultadas

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