Clubes e bets buscam acordo no STF sobre apostas e patrocínios
Representantes do futebol brasileiro e empresas do setor articulam entendimento com o governo federal antes de audiência pública convocada pela Suprema Corte.
Clubes de futebol e empresas do setor de apostas esportivas buscam costurar um acordo com o governo federal para reverter a proibição das bets e dos patrocínios no país. As negociações ocorrem em meio a uma ação judicial em tramitação no Supremo Tribunal Federal e contam com articulações de intermediários junto a representantes do Poder Executivo.
A discussão jurídica gira em torno da Medida Provisória número 1.394 de 2026, assinada em setembro pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que proibiu o funcionamento e a publicidade de casas de apostas e jogos online no território nacional. A norma estabeleceu a interrupção das atividades e um cronograma de bloqueio de plataformas, gerando forte reação no meio esportivo e empresarial.
O ministro Luiz Fux, relator da ação no STF que questiona a legalidade da medida, marcou uma audiência pública para o dia 3 de novembro. O encontro reunirá 26 instituições, incluindo clubes como Flamengo, Fluminense, Cruzeiro, Corinthians e São Paulo, além da Confederação Brasileira de Futebol, órgãos públicos e entidades ligadas ao mercado de apostas.
Até o momento, o ministro não suspendeu os efeitos da medida provisória. Por sua vez, a Advocacia-Geral da União atua para defender a manutenção da norma no Supremo, argumentando que a proibição é necessária para resguardar a saúde pública e a renda das famílias contra o endividamento e o vício.
Em contrapartida, dirigentes esportivos e associações empresariais alertam para o impacto financeiro severo que a interrupção das atividades causa no futebol nacional. Estima-se que os contratos de patrocínio com casas de apostas representem entre 15% e 25% das receitas dos clubes, movimentando cifras bilionárias e assegurando investimentos importantes em publicidade e competições.
Como alternativa à proibição total, os envolvidos nas negociações avaliam um modelo que permita a preservação dos contratos de patrocínio vigentes e o retorno das apostas esportivas, com a exclusão dos jogos de cassino virtual. A proposta visa garantir a segurança jurídica dos acordos até o término de sua vigência.
Defensores da proposta argumentam que o modelo também permitiria ao governo federal retomar a arrecadação de tributos provenientes do setor. No entanto, as conversas ainda estão em fase inicial, e a medida provisória também precisará ser analisada e votada pelo Congresso Nacional no prazo constitucional para manter sua validade.