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Economia

Consumo em supermercados sobe 6,5% após proibição de apostas online

Associação aponta alta na procura por itens essenciais e relaciona o movimento à queda nas transações via Pix após restrição às bets.

Por 3 min de leitura

Consumo em supermercados sobe 6,5% após proibição de apostas online
Consumo em supermercados sobe 6,5% após proibição de apostas online

O consumo nos supermercados brasileiros registrou alta de 6,5% nas primeiras semanas de outubro de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo levantamento divulgado pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras). O avanço nas vendas do varejo alimentar ocorreu após a proibição das apostas online, conhecidas como bets, e foi acompanhado por uma maior procura por produtos essenciais como arroz, óleo, macarrão e café.

Os dados foram apresentados pelo presidente da Abras, João Galassi, durante o evento Supervendas, realizado em Aracaju. De acordo com a associação, o crescimento do consumo foi verificado em todas as regiões do país e em diferentes canais de comércio, abrangendo desde grandes redes de atacarejo até supermercados e pequenos estabelecimentos de bairro.

Na primeira semana analisada, entre 5 e 11 de outubro, a região Sul e o grupo formado por Minas Gerais, Espírito Santo e o interior do Rio de Janeiro registraram as maiores altas, ambas de 10,6%. No Nordeste, o crescimento foi de 6,5%, enquanto o interior de São Paulo avançou 5,6%. A Grande Rio de Janeiro registrou alta de 4%, seguida pelo Centro-Oeste com 3,6% e a Grande São Paulo com 1,2%. Na semana seguinte, entre 12 e 18 de outubro, o país manteve a tendência com alta de 6,3%.

Para a entidade setorial, a expansão nas compras de alimentos está associada à redução nas movimentações financeiras ligadas às apostas online. A Abras relaciona o cenário a dados públicos do Banco Central, que indicam uma queda imediata de 10% nas transações via Pix no país após a proibição das bets, patamar que posteriormente se estabilizou em uma redução de 7%.

Segundo o presidente da Abras, a coincidência entre a diminuição das transferências financeiras e o aumento no volume de compras de alimentos sugere que parte dos recursos utilizados anteriormente em apostas pode ter sido redirecionada para o orçamento doméstico. 'Em todos os modelos que nós temos de negócio, ou seja, atacarejo, supermercado, loja de vizinhança, todos os canais, você teve aumento de consumo', afirmou Galassi durante a divulgação.

Apesar da leitura da associação, especialistas apontam que a queda nas transações via Pix, isoladamente, não comprova uma relação de causa e efeito direta com o aumento das vendas nos supermercados. Fatores como nível de emprego, renda, variação nos preços dos alimentos, pagamento de benefícios sociais, sazonalidade e mudanças no comportamento de consumo também exercem influência sobre o desempenho do comércio varejista.

Ademais, a metodologia detalhada do levantamento semanal não foi disponibilizada publicamente junto às informações divulgadas, o que restringe verificações independentes do indicador. O setor supermercadista brasileiro é considerado um dos pilares da economia nacional, reunindo cerca de 424 mil lojas, empregando aproximadamente 9 milhões de trabalhadores entre diretos e indiretos, e movimentando um faturamento anual superior a R$ 1 trilhão.

Fontes consultadas

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