Varejo brasileiro encerra terceiro trimestre com alta de 6,3%
Dados do Índice do Varejo Stone apontam crescimento sustentado pela renda, embora as condições de crédito ainda limitem setores dependentes de financiamento.
As vendas do comércio brasileiro registraram alta de 6,3% no terceiro trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior, conforme apontam os dados divulgados pelo Índice do Varejo Stone. Na leitura mensal, o mês de setembro apresentou um recuo de 0,3% em relação a agosto, mas manteve um avanço de 5,4% no comparativo anual, evidenciando uma acomodação na margem da atividade comercial.
Segundo o economista e pesquisador da Stone, Guilherme Freitas, o cenário econômico continua sendo impulsionado pela renda da população, o que favorece diretamente os segmentos voltados para as necessidades cotidianas. Por outro lado, o especialista ressalta que as atuais condições de crédito impõem restrições aos setores que dependem fortemente de financiamento, resultando em uma recuperação que ocorre de maneira desigual entre as diferentes categorias de produtos.
No acumulado dos nove primeiros meses de 2026, o comércio apresentou expansão de 4,7% frente a igual período de 2025. O desempenho trimestral também foi positivo quando comparado ao segundo trimestre deste ano, registrando alta de 1,6%. Na análise regional referente ao mês de setembro, o estado de Roraima liderou o crescimento anual com 19,6%, enquanto a região Norte obteve o melhor desempenho consolidado entre as regiões do país.
Enquanto o comércio de bens busca equilíbrio frente aos juros, o setor de serviços financeiros encontra no próprio varejo uma alternativa de expansão. Dados do Relatório de Cidadania Financeira mostram que a rede de correspondentes bancários no país alcançou 241.014 pontos em 2024, apresentando um crescimento de 12,5% em quatro anos, enquanto o número de agências bancárias tradicionais diminuiu no mesmo intervalo.
Estabelecimentos comerciais como padarias, supermercados e lotéricas passaram a incorporar funções financeiras essenciais, permitindo o pagamento de contas, transferências via Pix e propostas de empréstimos. Esse modelo de atendimento garantiu que 520 municípios brasileiros fossem atendidos exclusivamente por correspondentes bancários em 2024, assegurando a presença de canais financeiros em localidades desprovidas de agências físicas.
No cenário empresarial, o setor também registra transformações drásticas na trajetória de grandes nomes. O empresário Ricardo Nunes, fundador da antiga rede Ricardo Eletro, descartou em entrevista o retorno ao varejo físico e atribuiu a inviabilidade de grandes operações à combinação de taxas de juros elevadas com a intensa concorrência dos marketplaces digitais, concentrando agora suas atividades na área de educação empresarial por meio do Grupo R1.
Fontes consultadas
- Varejo encerra terceiro trimestre com alta de 6,3%, aponta Índice do Varejo Stone noticias.r7.com
- Luciano Hang vai além do varejo e coloca o nome da Havan em clube tradicional do Brasil jornalcruzeiro.com.br
- Vendedor de mexericas fundou gigante do eletro, teve 1100 lojas, abandonou o varejo e agora tem nova aposta de negócio ndmais.com.br
- Depois de acumular dívidas bilionárias na compra de uma rival, gigante do varejo de luxo pediu recuperação judicial para tentar sobreviver oantagonista.com.br
- Varejo vira extensão dos bancos e já soma 241 mil correspondentes no Brasil exame.com