Crise no Ueno Bank leva à intervenção do Banco Central no Paraguai
Instituição financeira digital enfrenta grave insolvência, o que provocou a renúncia do presidente do Banco Central e ordens de prisão para executivos.
O Banco Central do Paraguai (BCP) decretou nesta terça-feira (3) um processo de resolução para o Ueno Bank, uma das maiores instituições financeiras digitais do país, após detectar que o índice de solvência da entidade caiu para menos da metade do mínimo exigido pela legislação. A medida drástica afeta cerca de 3 milhões de clientes, que ficaram temporariamente sem acesso a aplicativos, saques, cartões e outras operações bancárias em todo o território paraguaio e em cidades de fronteira, como Ciudad del Este.
A decisão unânime da diretoria do BCP ocorreu após investigações apontarem problemas financeiros e irregularidades em concessões de crédito a empresas ligadas ao Grupo Vázquez, controlador do banco. A instituição, que administra aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos e detém fundos de previdência de órgãos estatais como o Instituto de Previsão Social (IPS), viu sua situação se deteriorar rapidamente nos últimos meses, atraindo forte escrutínio regulatório e parlamentar.
Em meio à repercussão do caso, o presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, anunciou a entrega de sua carta de renúncia. Carvallo, que já havia comandado o Ueno antes de assumir o comando da autoridade monetária em agosto de 2023, afirmou que sua saída tem como objetivo reduzir as controvérsias políticas e permitir que os órgãos técnicos trabalhem sem pressões externas durante o processo de resolução.
Paralelamente, o Ministério Público paraguaio agiu rapidamente e solicitou a prisão de oito pessoas ligadas à instituição financeira, incluindo o diretor-presidente Juan Manuel Gustale e o CEO Federico Miguel Vázquez Villasanti. Os executivos se apresentaram voluntariamente à polícia acompanhados de suas defesas. Além disso, a Justiça determinou o congelamento preventivo de ativos avaliados em cerca de US$ 70 milhões pertencentes a acionistas e diretores do banco.
Para minimizar o impacto sobre a população, o BCP informou que os depósitos de até 228,3 milhões de guaranis por correntista estão protegidos pelo Fundo de Garantia de Depósitos. O governo e as autoridades reguladoras anunciaram um plano para iniciar pagamentos aos pequenos poupadores e aposentados afetados, com transferências que devem começar a ser liberadas nos próximos dias, enquanto o Congresso avalia medidas para acelerar o ressarcimento.
A crise também gerou intenso desgaste político para a administração do presidente Santiago Peña, cujas ligações anteriores com o grupo controlador foram alvo de críticas por parte da oposição parlamentar. O caso pressionou os títulos da dívida soberana do Paraguai e os papéis da instituição no exterior.
Apesar da gravidade da intervenção no Ueno Bank, que se expandiu rapidamente nos últimos anos até se tornar um dos principais intermediários financeiros do país, o Banco Central e o governo reforçaram que se trata de um problema isolado. As autoridades asseguraram que o restante do sistema financeiro nacional mantém solidez e que não há riscos de contágio sistêmico.
Fontes consultadas
- Presidente do BC paraguaio renuncia após crise financeira no Ueno Bank | G1 g1.globo.com
- The Ueno Bank Case: What Has Happened Since Paraguay's Central Bank Stepped In asunciontimes.com
- Escándalo en Paraguay por la caída del Ueno Bank, estas son las claves de la crisis elhoy.com
- Breaking: Regulators Take Over as Paraguay’s Ueno Bank Falters theparaguaypost.com
- BANCO CENTRAL DO PARAGUAI DETERMINA INTERVENÇÃO NO UENO BANK E AFETA CERCA DE 3 MILHÕES DE CLIENTES - Oeste Agora Notícias Oeste Agora Notícias oesteagora.com.br