Dados do Smart Sampa ficam expostos por 11 meses em São Paulo
Prefeitura nega falha de segurança na plataforma de videomonitoramento e atribui o vazamento a um agente de segurança.
Informações sigilosas do Smart Sampa, sistema de monitoramento por câmeras e reconhecimento facial da Prefeitura de São Paulo, permaneceram expostas na internet por aproximadamente 11 meses. A exposição permitiu o acesso indevido a dados que possibilitavam visualizar transmissões de mais de 58 mil câmeras conectadas à plataforma municipal, abrangendo equipamentos instalados em vias públicas, escolas, creches e hospitais da capital.
O caso veio a público após apuração jornalística indicar que um repositório aberto na internet continha combinações de logins, senhas, dados cadastrais de mais de 6 mil agentes de segurança e instruções para reproduzir funções do sistema. Entre os locais cujas imagens puderam ser acessadas estão unidades básicas de saúde, escolas municipais e hospitais da rede pública.
Diante da repercussão, a Prefeitura de São Paulo negou a existência de falhas tecnológicas na plataforma e classificou o episódio como um ato criminoso isolado. Segundo a administração municipal, o vazamento foi provocado por um agente da Guarda Civil Metropolitana que possuía autorização prévia de acesso. O funcionário foi identificado, afastado de suas funções e passou a ser investigado pela Corregedoria da corporação.
O prefeito Ricardo Nunes declarou que a gestão municipal já monitorava a situação como uma espécie de isca para identificar acessos irregulares e atuar de forma efetiva contra eventuais desvios. A prefeitura informou ainda que o repositório irregular foi retirado do ar e que o sistema recebeu reforços nos mecanismos de proteção, incluindo a adoção de senhas exclusivas e autenticação em dois fatores.
O Ministério Público de São Paulo abriu um procedimento investigativo para apurar as circunstâncias do vazamento. Especialistas em segurança pública alertam que a exposição de dados sensíveis pode comprometer a integridade de cidadãos, autoridades e agentes policiais, além de facilitar o planejamento de ações criminosas, como sequestros e atentados, caso as informações sejam utilizadas por mal-intencionados.
Lançado em 2024 com um custo mensal aproximado de R$ 10 milhões, o Smart Sampa integra redes públicas e privadas de videomonitoramento utilizando inteligência artificial para identificar veículos irregulares, foragidos da Justiça e pessoas desaparecidas. Dados oficiais indicam que a tecnologia auxiliou na captura de milhares de foragidos, embora pesquisas acadêmicas questionem a eficácia real do programa na redução de índices de criminalidade na cidade.
Fontes consultadas
- Vazamento do Smart Sampa pode ajudar criminosos a planejar sequestros e atentados, alerta especialista | G1 g1.globo.com
- Câmeras do Smart Sampa foram expostas em vazamento; MP investiga – Agora Litoral agoralitoral.com.br
- Smart Sampa: Nunes diz que vazamentos eram "isca" para acessos indevidos metropoles.com
- Prefeitura de SP nega falha no Smart Sampa e atribui vazamento de dados a servidor | Rádio Itatiaia itatiaia.com.br
- Smart Sampa vaza dados de 58 mil câmeras baguete.com.br