Pular para o conteúdo
Tecnologia

Falha de segurança expõe acesso a mais de 58 mil câmeras do Smart Sampa

Dados sigilosos e credenciais ficaram disponíveis na internet por meses, gerando alertas de especialistas e questionamentos sobre a privacidade.

Por 3 min de leitura

Falha de segurança expõe acesso a mais de 58 mil câmeras do Smart Sampa
Falha de segurança expõe acesso a mais de 58 mil câmeras do Smart Sampa

Uma falha no Smart Sampa, programa de vigilância da Prefeitura de São Paulo, permitiu o acesso indevido a mais de 58 mil câmeras após dados sigilosos ficarem expostos na internet por cerca de 11 meses. A brecha atingiu locais sensíveis da capital paulista, como creches, escolas, hospitais e centros de atendimento a dependentes químicos.

O repositório público continha pelo menos 181 logins e senhas de usuários autorizados, além de informações de mais de 6 mil agentes de segurança e instruções que permitiam reproduzir o sistema em computadores ou celulares. Com as credenciais, foi possível visualizar imagens de ruas, acompanhar a movimentação de viaturas e acessar a plataforma da Sentinelx, empresa responsável pela tecnologia, sem passar inicialmente por autenticação em duas etapas.

Os riscos associados à exposição também envolveram a consulta a nomes, CPFs, placas de veículos e boletins de ocorrência. Segundo um especialista em tecnologia ouvido pela reportagem, o sistema apresentava interfaces que poderiam permitir a inserção de dados no reconhecimento de rostos e placas sem a devida checagem de identidade.

Especialistas manifestaram preocupação com o impacto da falha. Rafael Alcadipani, professor da Fundação Getulio Vargas e especialista em segurança pública, afirmou que uma estrutura governamental voltada para o enfrentamento ao crime poderia ser utilizada por criminosos contra o próprio Estado. Já Pedro Saliba, pesquisador da Data Privacy Brasil, classificou o episódio como uma falha gravíssima em termos de privacidade e vigilância, lembrando a necessidade de conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados.

Outro ponto levantado envolve a transparência e a auditoria do reconhecimento facial utilizado pelo município. A prefeitura informou anteriormente que não possui acesso ao código-fonte, aos modelos de inteligência artificial ou às bases de treinamento dos algoritmos, e que não realiza auditorias independentes dessas ferramentas. Registros de abordagens indicam que centenas de pessoas foram conduzidas a delegacias após alertas da tecnologia e posteriormente liberadas devido a inconsistências, mandados desatualizados ou problemas cadastrais.

Em nota oficial, a Prefeitura de São Paulo atribuiu o vazamento a um ato ilegal cometido por um servidor, que foi identificado, afastado e passou a ser investigado pela Corregedoria da Guarda Civil Metropolitana. A administração negou fragilidades estruturais nos mecanismos de proteção da plataforma.

Após os questionamentos da imprensa, a administração municipal adotou medidas para reforçar a segurança do sistema, incluindo a exigência de verificação em duas etapas, senhas exclusivas e validação por SMS para a criação de novos acessos, além de remover o repositório público da internet.

Fontes consultadas

Leia também