Nova falha no programa Smart Sampa expõe 17 mil câmeras em São Paulo
Vulnerabilidade permitiu acesso sem senha a imagens de empresas parceiras durante cinco dias, incluindo locais frequentados por autoridades.
A Prefeitura de São Paulo anunciou nesta terça-feira (3) a abertura de uma nova investigação para apurar uma falha no sigilo de dados de 17 mil câmeras integradas ao programa de monitoramento Smart Sampa. O problema, revelado por reportagem jornalística, permitiu o acesso direto a transmissões de equipamentos de empresas parceiras durante cinco dias, marcando o segundo incidente de grande porte envolvendo a plataforma em menos de um mês.
Entre as imagens que puderam ser visualizadas estavam transmissões ao vivo de vias próximas a residências de autoridades como o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e os ex-presidentes Michel Temer e Fernando Henrique Cardoso. A falha também possibilitou a visualização de entradas de clubes tradicionais da capital paulista antes que os links fossem desativados na última sexta-feira (30).
A gestão do prefeito Ricardo Nunes negou que a listagem de links estivesse acessível publicamente na internet e classificou o repasse dos dados à imprensa como um ato criminoso de vazamento de informações sigilosas. Segundo a administração municipal, o arquivo em questão consiste em uma planilha produzida pela Companhia de Processamento de Dados do Município de São Paulo durante uma auditoria interna de cibersegurança solicitada no final de outubro.
Especialistas em segurança digital apontaram que a vulnerabilidade decorria de falhas no código-fonte de um site associado à Sentinelx, empresa responsável pela plataforma tecnológica do programa. A brecha permitia o acesso a cadastros, documentos de parceiros e links de transmissão protegidos pela Lei Geral de Proteção de Dados, além de expor potenciais falhas de referência direta insegura a objetos.
A Prefeitura de São Paulo reforçou que as mais de 20 mil câmeras próprias do município não constavam na planilha enviada à imprensa e que o sistema continua operando sem evidências de ataques externos. A administração destacou ainda que a infraestrutura tecnológica e a segurança das câmeras de empresas privadas integradas ao programa permanecem sob a responsabilidade exclusiva de cada organização parceira.
Este episódio ocorre logo após outra ocorrência de vazamento de dados registrada em 20 de outubro, quando informações de 58 mil câmeras municipais ficaram expostas na internet devido à conduta de um agente de segurança público, que acabou afastado de suas funções. Diante das sucessivas ocorrências, a prefeitura informou que adotou medidas adicionais de proteção, incluindo o uso de senhas exclusivas, autenticação em dois fatores e auditorias independentes contratadas pelo consórcio operador.
Lançado em 2024 com um custo mensal de aproximadamente R$ 10 milhões, o programa Smart Sampa utiliza inteligência artificial e integração de imagens para auxiliar na segurança pública da capital. Embora a administração municipal destaque o impacto positivo do sistema na captura de foragidos da Justiça e na localização de pessoas desaparecidas, a iniciativa e sua eficácia têm sido alvo de debates entre especialistas e pesquisadores da área.