Defesa de Daniel Vorcaro nega fraude no BRB e pede revogação de prisão
Ex-banqueiro prestou novo depoimento à Polícia Federal e sua defesa protocolou pedidos de arquivamento e soltura.
O ex-banqueiro e dono do liquidado Banco Master, Daniel Vorcaro, prestou seu terceiro depoimento à Polícia Federal nesta quinta-feira (15), em uma oitiva que durou cerca de quatro horas. Após o procedimento, realizado por uma delegada que compareceu pessoalmente à unidade onde ele está detido no Distrito Federal, a defesa divulgou uma nota pública na qual nega qualquer tipo de fraude nas operações financeiras realizadas entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB) e exige a revogação imediata de sua prisão preventiva.
Segundo os advogados de Vorcaro, o investigado respondeu de forma colaborativa a todas as indagações dos investigadores, prestando esclarecimentos que classificaram como decisivos. A defesa sustenta que as transações entre as duas instituições financeiras foram estritamente lícitas, amparadas por decisões técnicas e colegiadas tomadas pelos órgãos de governança de ambos os bancos, sem causar qualquer prejuízo financeiro ao BRB ou aos seus clientes.
No centro das investigações conduzidas pela Polícia Federal está a suspeita de transferências bilionárias e operações com indícios de fraude envolvendo carteiras de crédito ligadas a uma empresa chamada Tirreno. Contudo, os defensores do ex-banqueiro argumentam que a transação com as carteiras da Tirreno não chegou a ser concluída e que a troca de ativos gerou, na realidade, resultados positivos para o banco estatal, rechaçando categoricamente a existência de um rombo de R$ 12 bilhões.
Para comprovar a tese, a defesa anunciou a apresentação de uma contestação na esfera cível acompanhada por um pedido formal de perícia técnica, com o objetivo de afastar o que qualificam como uma narrativa fantasiosa de fraude e prejuízo. Os advogados também apontam que a crise reputacional enfrentada pelo BRB não decorre de irregularidades estruturais, mas sim da deflagração açodada da Operação Compliance Zero, que teria abalado a confiança na instituição bancária.
Diante da ausência de novos avanços probatórios que corroborem as suspeitas iniciais da corporação, a defesa considera urgente e imperativa a soltura de Vorcaro para que ele possa responder aos questionamentos da Justiça em liberdade, mantendo sua disposição de colaborar com as apurações. O ex-banqueiro cumpre prisão preventiva desde março deste ano e está custodiado no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha.
Por outro lado, a investigação da Polícia Federal apresentada ao Supremo Tribunal Federal aponta indícios robustos de uma dinâmica de circularidade econômica e dependência financeira artificialmente construída entre os bancos. Os relatórios mencionam o envolvimento de ex-dirigentes do BRB, como o ex-presidente Paulo Henrique Costa, que também se encontra preso sob a suspeita de receber propina para viabilizar as operações e a absorção de ativos de alto risco pelo banco público.
Enquanto a investigação policial avança com novos depoimentos programados para os próximos dias, o pedido de revogação da prisão preventiva agora tramitará no Supremo Tribunal Federal. O histórico recente desfavorece a defesa nesse ponto, visto que a Segunda Turma da Corte manteve a prisão preventiva de Vorcaro por unanimidade no mês de março.
Fontes consultadas
- Vorcaro nega à PF fraude no BRB, pede soltura e diz que vai pedir perícia | Rádio Itatiaia itatiaia.com.br
- Defesa diz que Vorcaro depôs, nega fraude no BRB e pede revogação de prisão noticias.uol.com.br
- Defesa de Vorcaro nega fraude e prejuízo em operação de R$ 12 bilhões entre Master e BRB valor.globo.com
- Em 4 horas de depoimento à PF, Vorcaro diz que fraude no BRB é "fantasiosa" metropoles.com
- Vorcaro nega à PF fraude em operações Master-BRB e pede revogação da prisão | CNN Brasil cnnbrasil.com.br