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Brasil

Desenho de suástica no Lycée Molière gera tensão no Rio

Estudante que fez o símbolo nazista foi suspenso por um dia, gerando críticas de professores e alunos quanto à brandura da punição aplicada.

Por 3 min de leitura

Desenho de suástica no Lycée Molière gera tensão no Rio
Desenho de suástica no Lycée Molière gera tensão no Rio

Um episódio envolvendo o desenho de uma suástica durante uma atividade escolar mobilizou professores, alunos e a direção do tradicional Lycée Molière, instituição internacional francesa localizada no bairro de Laranjeiras, na Zona Sul do Rio de Janeiro. O caso ocorreu em outubro, quando um adolescente realizou o desenho do símbolo nazista em um material escolar. A punição inicial aplicada pela escola, consistente em uma suspensão de apenas um dia, foi considerada insuficiente por grande parte da comunidade acadêmica.

A repercussão do ato gerou discussões intensas em grupos de WhatsApp formados por docentes, pais e alunos. Nas conversas, membros da comunidade expressaram forte preocupação com a gravidade da conduta e questionaram a postura da administração diante do ocorrido. Relatos apontam que o episódio veio à tona em meio a um ambiente de tensão preexistente entre professores, famílias e a diretoria do colégio.

Além das críticas sobre a resposta institucional ao desenho da suástica, as mensagens compartilhadas entre os integrantes da comunidade escolar trouxeram à tona o receio de professores em formalizar denúncias oficiais. Segundo os relatos, alguns docentes temeriam sofrer possíveis retaliações profissionais devido a divergências com a gestão administrativa da escola francesa.

O clima de instabilidade interna também teria relação com outros conflitos anteriores envolvendo os mesmos estudantes, conforme apontado nas conversas. Entre os episódios mencionados está a saída de um professor durante o primeiro semestre letivo. De acordo com as informações circuladas, o docente teria deixado a instituição após desentendimentos com alunos e com a administração, sendo obrigado a retornar para a França, o que gerou pesar entre colegas.

Em resposta às críticas e à repercussão do caso, a direção do Lycée Molière emitiu uma nota oficial para esclarecer os fatos e detalhar as providências adotadas. A instituição afirmou que identificou dois alunos envolvidos no ato de vandalismo e aplicou a suspensão imediata de ambos. Os responsáveis pelo estudante autor do desenho foram convocados para uma reunião com uma comissão educativa, composta por representantes da direção, do corpo docente, dos pais e dos alunos.

Conforme deliberado pela comissão, o adolescente responsável pela suástica terá de cumprir uma série de atividades voltadas à reflexão e conscientização sobre ideologias totalitárias, além de receber acompanhamento escolar contínuo nos próximos meses. A escola também aproveitou para corrigir informações divulgadas anteriormente na imprensa, esclarecendo que o objeto danificado tratava-se de um trabalho de ciências produzido por estudantes, e não de uma obra de arte da artista plástica Marcela Bonfim, enfatizando ainda que o caso não teve relação com atos de racismo.

Por fim, o Lycée Molière reforçou em seu comunicado que atua como uma instituição sem fins lucrativos pautada nos princípios de liberdade, igualdade, tolerância, pluralismo e combate a qualquer tipo de discriminação. A nota destaca o compromisso de garantir um ambiente seguro e respeitoso para todos os alunos, independentemente de origem, crenças ou orientações, reafirmando o repúdio da comunidade acadêmica a ideologias contrárias aos valores fundamentais da instituição.

Fontes consultadas

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