Eleições 2026: regras e impactos da abstenção e votação em presídios
Levantamento aponta municípios com maior ausência de eleitores e detalha votação em complexo penitenciário no Distrito Federal.
As eleições de 2026 trouxeram à tona debates sobre a participação do eleitorado, incluindo o cenário de abstenções em municípios de destaque nacional e a votação em unidades de segurança máxima. O primeiro turno do pleito, realizado no último domingo, dia 4, mobilizou eleitores em todo o país, enquanto órgãos eleitorais reforçam a necessidade de regularização e justificativa de votos para aqueles que não compareceram.
No Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, o candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve 74 votos, superando Flávio Bolsonaro (PL), que registrou 70 votos na disputa presidencial. A diferença entre os dois principais colocados foi de apenas quatro sufrágios na seção 420 da zona 18 da capital federal.
A votação na Papuda contou com 162 votantes presentes entre os 185 eleitores aptos nas unidades de segurança máxima, resultando em 23 abstenções. Entre os detentos que compareceram ao local estavam figuras conhecidas, como o banqueiro Daniel Vorcaro e o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, além de Antonio Carlos Camilo Antunes.
No mesmo local de votação do sistema prisional, a eleição para o Senado teve Michelle Bolsonaro na liderança com 68 votos, seguida por Leila do Vôlei e Bia Kicis. Para o cargo de governador do Distrito Federal, Celina Leão figurou na primeira colocação com 65 votos, enquanto Leandro Grass obteve 32.
Em âmbito nacional, Minas Gerais concentrou oito dos dez municípios brasileiros com as maiores taxas de abstenção no primeiro turno. O índice mais elevado do país foi verificado em Rio Vermelho, no Vale do Jequitinhonha, onde 40,09% dos eleitores aptos deixaram de comparecer às urnas.
A lista das cidades com maior ausência de eleitores inclui ainda Santo Antônio do Itambé, Serra Azul de Minas, Santa Maria do Suaçuí, Chapada do Norte, Jenipapo de Minas, Novo Cruzeiro e Materlândia. Fora de Minas Gerais, apenas as cidades de Anhanguera, em Goiás, e Barcelos, no Amazonas, integraram o grupo das dez maiores taxas de abstenção do Brasil.
O peso de Minas Gerais no cenário eleitoral é acentuado pelo fato de o estado abrigar o segundo maior colégio eleitoral do país, com 16,3 milhões de eleitores, o equivalente a 10,32% do total nacional. Historicamente, desde a redemocratização em 1989, nenhum candidato chegou à presidência da República sem vencer no território mineiro.
Para o segundo turno da eleição presidencial, marcado para o dia 25 de outubro, os eleitores que não votaram no primeiro turno continuam aptos a participar, desde que estejam com a situação eleitoral regularizada. A ausência na primeira etapa, contudo, exige a devida justificativa por meio do aplicativo e-Título ou pelos canais oficiais dos tribunais regionais eleitorais, evitando penalidades como multas e restrições para obtenção de empréstimos.