Empresas planejam pontos para carros voadores na região de São Paulo
Iniciativa prevê a criação de vertiportos para conectar polos de negócios e aeroportos a partir de 2028.
Empresas do setor de aviação e infraestrutura estudam a implantação de cinco a dez pontos iniciais, conhecidos como vertiportos, para viabilizar as primeiras operações comerciais dos chamados carros voadores na região metropolitana de São Paulo. As aeronaves elétricas de pouso e decolagem vertical, popularmente chamadas de eVTOLs, devem contar com uma malha mínima para conectar aeroportos, regiões de grande fluxo e centros de negócios.
Estudos de demanda realizados pela concessionária PAX Aeroportos em parceria com a UrbanV já definiram áreas consideradas prioritárias para receber a nova rede de transporte. Entre os locais mapeados estão a Berrini, a Avenida Faria Lima, Alphaville, o Expo Imigrantes e o Campo de Marte, com o objetivo de aproveitar infraestruturas já existentes para reduzir os custos iniciais dos investimentos.
Segundo Rogério Prado, CEO da PAX Aeroportos, a criação de uma rede enxuta com essa quantidade inicial é fundamental para que o serviço comece a funcionar. "Você precisava de uma rede no mínimo de cinco a dez pontos para ela começar a funcionar", afirmou o executivo durante a Assembleia Geral Anual e Exposição ACI-LAC/ACI World.
O principal obstáculo para o desenvolvimento completo do setor no momento é a ausência de aeronaves certificadas. A falta dos equipamentos homologados impede a realização de testes operacionais definitivos e dificulta a validação exata de custos, planos de manutenção e modelos de negócio, embora as empresas utilizem projeções teóricas e simulações para avançar.
Apesar das dificuldades regulatórias e tecnológicas, Prado avalia que o Brasil ocupa uma posição de destaque e está entre os países mais avançados na preparação para receber os eVTOLs. O país conta com discussões e iniciativas em andamento na Agência Nacional de Aviação Civil, no Departamento de Controle do Espaço Aéreo, além de articulações com prefeituras locais.
Enquanto aguardam a liberação dos equipamentos, as empresas simulam rotas, avaliam requisitos de segurança e analisam protocolos de combate a incêndios em baterias de grande porte, utilizando o conhecimento adquirido com veículos elétricos. Além disso, a meta de certificação das aeronaves para operação em 2028 é considerada factível, embora a operação comercial dependa também de adaptações nas regras municipais de zoneamento urbano.
No aspecto logístico e energético, o fornecimento de eletricidade não deve representar um entrave severo. Um vertiporto estruturado do zero com múltiplos pontos de recarga exigirá uma demanda moderada de energia, exigindo maior atenção apenas quanto à capacidade de acesso à rede elétrica local para garantir o funcionamento adequado da nova frota.
Fontes consultadas
- Empresas estudam pontos para "carros voadores" em SP infomoney.com.br
- Empresas estudam pontos para 'carros voadores' em São Paulo - Diário do Grande ABC dgabc.com.br
- O que é preciso para viabilizar pontos para "carros voadores" em São Paulo, segundo empresas folhape.com.br
- Certificações das aeronaves podem sair em 2028 - Economia | Portal do Holanda portaldoholanda.com.br
- Mobilidade urbana observador.pt