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Saúde

Especialistas alertam sobre riscos da gordura no fígado

Condição silenciosa afeta milhões de brasileiros e exige diagnóstico precoce e mudanças no estilo de vida.

Por 2 min de leitura

Especialistas alertam sobre riscos da gordura no fígado
Especialistas alertam sobre riscos da gordura no fígado

A gordura no fígado, conhecida clinicamente como esteatose hepática, é um problema silencioso que afeta milhões de adultos no Brasil e eleva os riscos de complicações cardiovasculares graves. O tema foi amplamente debatido durante o congresso anual da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes, o EASD 2026, realizado em Milão, na Itália.

De acordo com estimativas apresentadas por especialistas da área médica, cerca de 50 milhões de brasileiros adultos convivem com o acúmulo de gordura no órgão, sendo que pelo menos 10 milhões apresentam a esteato-hepatite associada à disfunção metabólica, a MASH. Trata-se de uma vertente mais grave da condição, caracterizada pelo desenvolvimento de inflamação crônica.

Especialistas ressaltam que a presença de gordura no fígado vai muito além de uma simples alteração estética ou local, funcionando como um importante marcador sistêmico de gordura visceral. O quadro está diretamente associado a um maior perigo de infarto, acidente vascular cerebral, fibrilação atrial e mortalidade de origem cardiovascular, independentemente de o paciente vir a desenvolver doenças hepáticas avançadas.

Embora o sobrepeso e a obesidade sejam os principais fatores de risco para o problema, o acúmulo de gordura também pode surgir em indivíduos que mantêm o peso adequado. Outros elementos como diabetes, pré-diabetes, alterações nos níveis de triglicérides e colesterol, predisposição genética e o consumo de álcool também participam do desenvolvimento da condição.

O avanço da doença sem o devido tratamento pode desencadear fibrose hepática em diferentes estágios, evoluindo potencialmente para quadros de cirrose e câncer no fígado. Contudo, profissionais da medicina destacam que o processo de cicatrização do tecido é dinâmico e reversível até determinado momento, reforçando a importância fundamental do diagnóstico precoce.

Para a reversão do quadro e a redução da inflamação, a base do tratamento envolve modificações consistentes no estilo de vida. Adoção de uma alimentação equilibrada baseada em produtos naturais, prática regular de atividades físicas, redução ou eliminação do álcool e a perda de peso sustentável são medidas recomendadas pelos médicos.

No que diz respeito ao tratamento farmacológico disponível no território brasileiro, a semaglutida na dosagem de 2,4 mg é atualmente a única medicação aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária para o manejo da MASH em adultos com fibrose moderada ou avançada sem cirrose. Especialistas lembram, contudo, que o medicamento deve integrar um plano de cuidado individualizado e não substitui os hábitos de vida saudáveis.

Fontes consultadas

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