EUA aprovam reator nuclear e reconhecem armas orbitais
Comissão regulamenta nova usina na Terra enquanto autoridades militares admitem posse de armamentos no espaço.
A Comissão Reguladora Nuclear dos Estados Unidos (NRC) aprovou a licença para a construção do primeiro reator modular pequeno comercial do país, destinado à Tennessee Valley Authority (TVA). O anúncio ocorre no mesmo período em que o governo norte-americano reconhece publicamente, pela primeira vez, a posse de armas de controle espacial em órbita.
Segundo a agência reguladora, a nova usina será um reator de água fervente com capacidade de 300 megawatts, desenvolvido pela GE Vernova Hitachi. O objetivo do projeto é suprir a crescente demanda regional por eletricidade utilizando o calor gerado pela fissão nuclear para produzir vapor e acionar turbinas.
A autorização de construção foi concedida após uma análise que durou 14 meses, representando a segunda aprovação de grande porte para um reator realizada pela NRC no atual ano. Antes de iniciar a operação e o carregamento do combustível, a TVA ainda precisará obter uma licença operacional específica junto ao órgão regulador, embora já contasse com uma permissão preliminar para o local desde 2019.
Paralelamente aos avanços na energia nuclear civil, o secretário da Força Aérea dos EUA, Troy Meink, declarou durante uma conferência militar que o país dispõe de armamentos orbitais voltados para a defesa das forças conjuntas contra potenciais adversários hostis. Embora detalhes técnicos sobre os equipamentos não tenham sido divulgados, fontes governamentais indicam que o sistema possui capacidade para neutralizar satélites inimigos.
A Força Espacial americana pontuou que tais capacidades de controle espacial servem tanto a propósitos ofensivos quanto defensivos, permitindo disputar o domínio fora da Terra por meios cinéticos e não cinéticos. A revelação marca uma mudança na postura pública de Washington sobre o tema, que historicamente tratava a militarização orbital com cautela devido a exigências de segurança nacional.
A confirmação sobre os armamentos espaciais surge em um cenário de acirramento geopolítico envolvendo potências como China e Rússia. Enquanto Pequim criticou duramente a postura norte-americana e pediu o fim de preparativos para conflitos espaciais, o histórico de disputas no setor remonta à Guerra Fria e ao lançamento do Sputnik em 1957.
Apesar de tratados internacionais como o Tratado do Espaço Exterior, assinado em 1967, proibirem o posicionamento de armamentos de destruição em massa em órbita, o desenvolvimento de tecnologias antissatélite e de defesa tem avançado globalmente. As iniciativas recentes dos Estados Unidos refletem a corrida contínua pelo domínio tecnológico e estratégico tanto no solo terrestre quanto no espaço sideral.