Exército avalia papel contra facções e vê com cautela base dos EUA
Generais debatem cenários para segurança pública e cooperação internacional em eventual governo de Flávio Bolsonaro.
O Alto Comando do Exército avalia cenários para ampliar a atuação das Forças Armadas no combate ao crime organizado em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL). As discussões, que ocorrem internamente há cerca de dois anos, ganharam força diante das propostas de segurança pública do senador e das análises de conjuntura sobre a política externa dos Estados Unidos para a América do Sul.
Entre as principais preocupações da cúpula militar está o avanço do narcotráfico internacional pelas fronteiras terrestres brasileiras, que somam mais de 16 mil quilômetros. Levantamentos do Centro de Inteligência do Exército apontam que o Brasil serve como rota de escoamento para centenas de toneladas de cocaína produzidas na Bolívia, na Colômbia e no Peru com destino a outros mercados.
Para enfrentar esse desafio, o plano de governo de Flávio Bolsonaro propõe a criação de um Sistema Nacional de Fronteira. A iniciativa prevê o uso de inteligência, tecnologia e armamentos fornecidos pelas Forças Armadas para reforçar o controle territorial, estabelecer um paredão na região e asfixiar financeiramente as organizações criminosas.
Apesar da ênfase no combate às facções, o comandante da Força, general Tomás Paiva, e outros integrantes do Alto Comando defendem que a participação militar ocorra principalmente por meio de compartilhamento de inteligência, equipamentos e cooperação com órgãos de segurança pública. A manutenção de tropas permanentemente nas ruas não é o foco principal da cúpula.
Outro ponto central nas avaliações internas é a relação com os Estados Unidos, especialmente após a decisão de Washington de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Generais temem que essa medida seja utilizada pelo governo de Donald Trump para justificar propostas de intervenção direta em território brasileiro.
Nesse contexto, os oficiais dividem a cooperação internacional em dois cenários. Operações conjuntas coordenadas sob comando exclusivo das Forças Armadas brasileiras na faixa de fronteira são vistas sem grandes restrições. Por outro lado, a eventual instalação de uma base militar americana no Brasil gera forte preocupação por ser interpretada como um risco à soberania e à autonomia estratégica nacional.
Por fim, a experiência da intervenção federal realizada no Rio de Janeiro em 2018 serve de alerta para os militares. Embora a medida tenha gerado resultados pontuais durante sua vigência, a avaliação da cúpula do Exército é de que a ausência de continuidade e de políticas permanentes permitiu que o crime organizado recuperasse força após o encerramento da operação.
Fontes consultadas
- Militares avaliam atuação das Forças Armadas contra facções em eventual governo Flávio - Portal 98 FM Natal 98fmnatal.com.br
- Militares avaliam combate às facções, mas temem base dos EUA no Brasil com Flávio Bolsonaro no poder brasil247.com
- Exército teme avanço militar dos EUA e interferência de Trump no Brasil sob Flávio diariodocentrodomundo.com.br