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Ciência

Expedição descarta que objeto no Pacífico seja avião de Amelia Earhart

Pesquisadores apontam que anomalia visual avistada em ilha remota era, na verdade, um acúmulo de árvores.

Por 3 min de leitura

Expedição descarta que objeto no Pacífico seja avião de Amelia Earhart
Expedição descarta que objeto no Pacífico seja avião de Amelia Earhart

Uma nova expedição científica que investigava o misterioso desaparecimento da aviadora Amelia Earhart concluiu que um objeto avistado em imagens de satélite na Ilha Nikumaroro, no Oceano Pacífico, não é o destroço de sua aeronave perdida. A iniciativa, realizada quase 90 anos após o sumiço histórico, descartou a principal teoria que associava a anomalia visual ao avião Lockheed Electra 10-E.

A equipe de pesquisadores, liderada por representantes da Universidade Purdue e do Instituto de Legado Arqueológico, chegou ao atol remoto no mês de outubro após uma viagem marítima de cinco dias. O grupo constatou que a formação observada inicialmente na Península de Taraia tratava-se de um conjunto de grandes árvores depositadas na faixa de areia. Boa parte dos detritos já havia se desagregado ou sido levada pela água, restando apenas um fragmento em formato de Y.

A especulação sobre a presença de metal no local, que havia motivado a nova missão de busca, foi explicada pela ciência como resultado de uma película de carbonato. Outros itens encontrados nas proximidades também apresentavam um revestimento brilhante formado por areia de coral endurecida. Apesar do revés em relação à hipótese principal, a equipe recolheu outros artefatos que passarão por análises adicionais.

Amelia Earhart e seu navegador, Fred Noonan, desapareceram em 2 de julho de 1937, durante uma ambiciosa tentativa de dar a volta ao mundo pelo equador. O rádio do avião perdeu contato durante o trajeto sobre o oceano rumo à Ilha Howland, dando início a uma das maiores investigações não resolvidas da história da aviação comercial e militar.

Ao longo das décadas, diversas teorias surgiram para tentar explicar o destino dos aviadores. Uma das correntes defende que Earhart e Noonan conseguiram pousar em Nikumaroro e sobreviveram temporariamente como náufragos. A hipótese ganhou força com a descoberta de restos mortais humanos e artefatos na ilha em 1940, embora os ossos tenham sido perdidos posteriormente.

Rick Pettigrew, diretor executivo do instituto arqueológico, avaliou o resultado da missão de campo com otimismo prudente. Segundo ele, o objetivo principal era testar a hipótese sobre o objeto e seguir as evidências científicas até o fim, independentemente de corresponderem ou não às expectativas iniciais sobre o paradeiro da aeronave.

Steve Schultz, membro da expedição e conselheiro jurídico da Universidade Purdue — instituição que financiou o voo histórico de Earhart na década de 1930 —, reforçou o valor da jornada investigativa. A universidade mantém laços históricos com a aviadora, que atuou como conselheira de carreira para mulheres e orientadora no departamento de aeronáutica da instituição antes de sua fatídica última viagem.

Fontes consultadas

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