Família de Deolane Bezerra relata internação da filha após negativa de habeas corpus
A advogada e influenciadora, que está presa preventivamente há cinco meses, será informada sobre a hospitalização da criança pela própria família.
A família da advogada e influenciadora Deolane Bezerra decidiu comunicar a ela, diretamente na unidade prisional onde se encontra detida, sobre a recente internação de sua filha Valentina, de dez anos. A confirmação foi dada por Solange Bezerra, mãe de Deolane, ao explicar que o acesso à televisão e a circulação de informações dentro do presídio tornam inviável manter o fato em sigilo.
A preocupação com a influenciadora surgiu após a menina precisar de atendimento médico de emergência em São Paulo. Valentina teria entrado em desespero ao tomar conhecimento de que o Superior Tribunal de Justiça havia negado mais um pedido de liberdade em favor de sua mãe.
Para evitar que Deolane receba a notícia de maneira distorcida por terceiros ou pela cobertura da imprensa, a advogada Daniele Bezerra, irmã da detida, assumiu a responsabilidade de ir até o estabelecimento prisional para conversar pessoalmente com ela. Conforme relatado pela matriarca da família, o próprio sistema penitenciário também acaba repassando informações externas às detentas.
Apesar da sequência de episódios difíceis que afetam os familiares, Solange Bezerra reiterou a crença na inocência da filha e na atuação da Justiça. "É tudo muito difícil, mas Deus vai nos dar a vitória. Deolane não é bandida", declarou a avó da criança, demonstrando confiança na superação do momento delicado.
A internação da menina ocorreu paralelamente a novas movimentações jurídicas no processo. O ministro Ribeiro Dantas, do Superior Tribunal de Justiça, rejeitou recentemente dois habeas corpus apresentados pela defesa de Deolane e manteve sua prisão preventiva. A influenciadora é investigada por suspeitas de lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa, sem que haja condenação definitiva até o momento.
No primeiro pedido de liberdade analisado pelo STJ, os advogados argumentaram que a prisão carece de fundamentação concreta, que o prazo das investigações excedeu o razoável e que as movimentações financeiras apontadas corresponderiam a honorários advocatícios. A defesa também solicitou a conversão da prisão em medidas cautelares ou domiciliar, amparando-se no fato de Deolane ser mãe de uma criança menor de doze anos.
Contudo, o ministro não conheceu de parte dos argumentos por entender que o Tribunal de Justiça de São Paulo ainda não havia examinado essas questões, impedindo uma análise preliminar da corte superior. O segundo habeas corpus abordava as condições de encarceramento, com pedido de transferência para uma sala de Estado-Maior ou concessão de prisão domiciliar, mas a solicitação foi negada sob o entendimento de ausência de ilegalidade evidente, considerando ainda a suspensão da inscrição da investigada na Ordem dos Advogados do Brasil.
Enquanto a defesa estuda recorrer da decisão monocrática para um colegiado do próprio tribunal, os desdobramentos principais do caso seguem tramitando na Justiça paulista. A manutenção da prisão preventiva continua sob responsabilidade do tribunal de origem, enquanto a família concentra esforços em lidar com o impacto emocional da detenção sobre os parentes mais jovens.