Fiscalia espanhola avalia investigacao contra Julio Iglesias
Ministerio Publico altera entendimento anterior e defende que tribunal especial brasileiro e competente para analisar acusações.
A Justiça da Espanha deu um novo passo em direção à possível investigação do cantor Julio Iglesias por acusações de agresión sexual e abusos laborais apresentadas por duas ex-funcionárias. O juiz da Audiência Nacional, Antonio Piña, concedeu um prazo de cinco dias para que a defesa do artista e a representação legal das denunciantes apresentem suas alegações sobre a competência do tribunal especial para conduzir o caso.
A movimentação ocorre após uma mudança de critério por parte da Procuradoria. Em janeiro, uma denúncia inicial havia sido arquivada por falta de jurisdição, já que os supostos crimes teriam ocorrido fora da Espanha, nas Bahamas e na República Dominicana, e as partes envolvidas residiam no exterior. No entanto, o promotor Vicente González Mota emitiu recentemente um relatório favorável, validado pela supervisão da Procuradoria-Geral do Estado, sustentando que a Audiência Nacional possui competência para analisar o processo.
As querelantes, identificadas com os nomes fictícios de Rebeca e Laura para preservar suas identidades, trabalharam nas mansões do cantor em 2021. Elas atuavam como empregada doméstica e fisioterapeuta e acusam o artista de tráfico de seres humanos para fins de trabalho forçado, servidão, infrações contra a liberdade sexual, delitos contra os direitos dos trabalhadores, lesões e tratamento vexatório.
A organização Women's Link Worldwide, que representa as mulheres ao lado de entidades como a Anistia Internacional, argumenta que a legislação espanhola permite a investigação de delitos cometidos no exterior por cidadãos nacionais quando existem vínculos relevantes com o país. A nova querela apresentada em setembro inclui ainda um delito de trato degradante e detalha um cenário de intimidação constante, jornadas de até dezesseis horas diárias sem descanso, retenção de celulares e restrição de circulação.
Julio Iglesias negou categoricamente as acusações desde que tornaram-se públicas, classificando-as como totalmente falsas e afirmando que jamais cometeu abusos, coerções ou faltou com o respeito a qualquer mulher. O artista de oitentréis anos e sua defesa mantêm a postura de rechaço às denúncias desde o início das alegações.
Cabe agora ao magistrado Antonio Piña analisar os argumentos fornecidos por ambas as partes nos próximos dias para decidir formalmente se abre as diligências de investigação ou se encerra o processo na esfera judicial espanhola. Paralelamente, o cantor enfrenta outros litígios no exterior, incluindo um processo civil em andamento nos Estados Unidos relativo a uma transação imobiliária em território norte-americano.
Fontes consultadas
- El juez da cinco días a Julio Iglesias y sus denunciantes para que aleguen si la Audiencia Nacional es quien debe investigar al cantante eldiario.es
- La Fiscalía rectifica y considera que la Audiencia Nacional es competente para investigar la querella contra Julio Iglesias | El Correo elcorreo.com
- La Fiscalía apoya investigar una querella contra Julio Iglesias latribunadecuenca.es
- Fiscalía española avala reabrir investigación contra Julio Iglesias por presuntas agresiones sexuales: esto se sabe | NTN24.COM ntn24.com
- Revés para Julio Iglesias: la Justicia española cambia de postura y ahora avala investigarlo por presunta agresión sexual lmneuquen.com