Ibovespa despenca e B3 aciona circuit breaker com queda de 16,5%
Mercado financeiro brasileiro registra forte instabilidade nesta segunda-feira com disparada do dólar e rebaixamento pelo J.P. Morgan.
O mercado financeiro brasileiro operou em forte baixa nesta segunda-feira, levando a B3 a acionar o mecanismo de circuit breaker logo no início do pregão. Às 11h12, o Ibovespa caía 16,5%, atingindo 171.101 pontos, após uma paralisação inicial de 30 minutos nas negociações de ativos à vista, renda fixa privada e opções.
O acionamento do circuit breaker ocorre em momentos de forte volatilidade e retração do principal índice de ações do país. As regras da bolsa determinam a interrupção temporária das atividades por meia hora quando o recuo atinge a marca de 10%, podendo haver novas paralisações caso as perdas avancem para patamares mais elevados.
Paralelamente à queda expressiva do índice acionário, o dólar comercial registrou alta de 10% na venda, cotado a R$ 5,504 por volta das 11h10, enquanto os juros futuros operavam em forte tendência de alta. A instabilidade foi intensificada após a decisão do J.P. Morgan de rebaixar as recomendações para o real e para os títulos soberanos brasileiros.
De acordo com a equipe de analistas do banco internacional, a revisão da nota passou de 'overweight' para 'marketweight'. A instituição financeira apontou que, embora a elevação anterior da recomendação estivesse ancorada na expectativa de mudanças na condução das políticas públicas, o resultado eleitoral recente diminui a probabilidade de alterações significativas na política econômica.
Como reflexo direto do cenário adverso, o Tesouro Nacional anunciou o cancelamento dos leilões tradicionais de títulos públicos prefixados e indexados à inflação que estavam programados para os próximos dias. Apesar do tom generalizado de baixa, algumas ações registraram desempenho positivo, como os papéis da Vale, que subiram 6,24%, e da Gerdau, com alta de 4,68%.
No âmbito corporativo, o noticiário foi movimentado por aquisições e reestruturações. O Itaú Unibanco comunicou a compra da totalidade da NeoSpace A.I. Technologies por R$ 2,925 bilhões, reforçando a estratégia de inteligência artificial generativa. Já a WEG adquiriu o negócio de Power Controls Solutions da norte-americana L&S Electric por US$ 11 milhões, e a Azul fechou um financiamento de até R$ 2 bilhões com garantia da União para aquisição de combustível.