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Economia

Dólar sobe ante o real após pesquisas apontarem empate técnico

Expectativa por nova pesquisa eleitoral e dados de inflação nos Estados Unidos movimentaram os mercados financeiros nesta quarta-feira.

Por 3 min de leitura

Dólar sobe ante o real após pesquisas apontarem empate técnico
Dólar sobe ante o real após pesquisas apontarem empate técnico

O mercado financeiro brasileiro registrou volatilidade e alta moderada no câmbio nesta quarta-feira, impulsionado pela cautela dos investidores diante de um cenário de empate técnico nas pesquisas para a disputa presidencial e de dados de inflação acima do esperado nos Estados Unidos. O dólar à vista encerrou a sessão com variação positiva de 0,14%, cotado a R$ 5,0298, enquanto o Ibovespa fechou em queda de 0,18%, aos 206.505,98 pontos.

A dinâmica da taxa de câmbio e dos juros futuros foi fortemente influenciada pelo ambiente externo pela manhã. Os Estados Unidos divulgaram que o índice de preços ao consumidor (CPI) subiu 0,6% em setembro, pressionando os rendimentos dos títulos do Tesouro americano, conhecidos como Treasuries. O avanço da inflação americana elevou as apostas de que o Federal Reserve poderá realizar novos aumentos nas taxas de juros no curto prazo, o que fortaleceu a moeda norte-americana globalmente.

No cenário doméstico, a atenção dos investidores voltou-se para o cenário político e para a divulgação de novas pesquisas de intenção de voto. Levantamentos recentes, incluindo sondagens divulgadas na véspera pelo grupo BTG/Nexus, apontaram um empate técnico no segundo turno entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A expectativa do mercado concentrou-se na divulgação de um novo levantamento do instituto Quaest, previsto para o início da noite.

Analistas apontam que a percepção de que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro representaria maior controle das contas públicas tem sido um fator de sustentação para ativos locais, mas o estreitamento da vantagem nas pesquisas gerou cautela. Fernando Cesar, operador sênior da AGK Corretora, avaliou que o avanço de Lula nas pesquisas e o acirramento da disputa elevam a apreensão dos agentes econômicos. "Se as próximas pesquisas não trouxerem novidade, o dólar pode cair um pouco. Se a diferença diminuir, podemos ver aumento das tensões", afirmou.

Apesar da cautela recente, o fluxo cambial brasileiro tem apresentado números positivos. Dados divulgados pelo Banco Central mostraram que o país registrou uma entrada líquida expressiva de dólares na semana anterior, impulsionada por investimentos estrangeiros após o resultado do primeiro turno das eleições. O sócio-fundador da Eytse Estratégia, Sérgio Goldenstein, destacou que o real apresentou um desempenho relevante em comparação com outras moedas emergentes, refletindo a redução temporária do prêmio de risco.

No mercado acionário, o Ibovespa oscilou ao longo do dia, penalizado pelas perdas em setores como o bancário e o de mineração, em linha com a queda da Vale e a retração de commodities no exterior. Por outro lado, as ações da Petrobras registraram alta, impulsionadas pelo avanço nos preços do petróleo no mercado internacional, em meio a tensões geopolíticas no Oriente Médio que elevaram o valor do barril do Brent.

As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) também refletiram o cenário de instabilidade, encerrando a quarta-feira com altas nas principais vértices da curva a termo. Os investidores seguem monitorando os próximos desdobramentos da corrida eleitoral e os rumos da política monetária internacional para calibrar suas posições nas próximas sessões.

Fontes consultadas

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