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Economia

Ibovespa fecha em baixa nesta terça-feira após forte volatilidade

Enquanto dólar e juros recuaram, principal índice da Bolsa brasileira teve leve queda e acumulou perdas após a reeleição de Lula.

Por 3 min de leitura

Ibovespa fecha em baixa nesta terça-feira após forte volatilidade
Ibovespa fecha em baixa nesta terça-feira após forte volatilidade

O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, encerrou o pregão desta terça-feira (27) em baixa de 0,51%, aos 175.710,05 pontos, em um dia marcado por intensa volatilidade e ajustes de portfólio. A sessão ocorreu após o mercado financeiro registrar fortes turbulências na véspera, quando o índice despencou 13,88% na esteira da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Enquanto o mercado de ações continuou no território negativo, o dólar comercial e os juros futuros devolveram parte da disparada anterior.

O dólar comercial fechou o dia em queda de 0,97%, cotado a R$ 5,350, em um movimento atribuído por especialistas à realização de lucros por parte dos investidores, que aproveitaram a forte alta da véspera para embolsar ganhos. Os juros futuros também recuaram, auxiliados por uma atuação do Tesouro Nacional, que realizou a recompra de títulos públicos e cancelou um leilão previsto para a sessão para conter a volatilidade e melhorar as condições de negociação.

O desempenho do Ibovespa destoou de outros ativos locais e foi pressionado principalmente pelo recuo de empresas de grande peso no índice, como Vale e Petrobras. As ações da Vale caíram 2,14%, acompanhando a desvalorização do minério de ferro no mercado internacional, enquanto os papéis da Petrobras recuaram 2,02% influenciados pela queda nos preços do petróleo no exterior.

Por outro lado, o pregão abriu espaço para a recuperação de ações cíclicas domésticas e papéis ligados ao consumo e ao crédito, que haviam sofrido perdas expressivas no dia anterior devido a vendas forçadas e preocupações de liquidez. Papéis como os da Tenda e do Magazine Luiza registraram fortes altas de 10,20% e 8,49%, respectivamente, buscando corrigir parte dos tombos históricos acumulados na sessão anterior.

O sentimento geral entre analistas e gestores de mercado ainda é de cautela, com investidores aguardando definições mais claras sobre a composição da futura equipe econômica do governo e as propostas para o campo fiscal. Alexandre Silvério, CEO da Tenax Capital, apontou que a sessão serviu para o início de avaliações e recomposição de estratégias. Segundo o executivo, os ajustes nas carteiras continuam e é preciso cautela para avaliar o impacto duradouro do evento político agudo.

Um levantamento histórico realizado pelo J.P. Morgan indica que o Ibovespa costuma ser o ativo que reage com maior velocidade após choques de perdas intensas, levando em média cerca de quatro meses para recuperar os níveis anteriores. No entanto, episódios marcantes como a eleição de 2002 exigiram prazos superiores a sete meses para a normalização completa do mercado acionário brasileiro.

No cenário internacional, as bolsas em Wall Street encerraram o dia em alta, impulsionadas pelo desempenho de empresas do setor de tecnologia, enquanto investidores internacionais aguardam a decisão do Federal Reserve sobre a taxa de juros nos Estados Unidos, prevista para o dia seguinte. O volume financeiro negociado no Ibovespa alcançou R$ 49,7 bilhões durante a sessão.

Fontes consultadas

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