IFIX registra forte queda após eleições e SNEL11 atinge liquidez recorde
Índice de fundos imobiliários recua no pregão pós-eleitoral, enquanto ativos específicos contabilizam marcas históricas de negociação.
O mercado de fundos imobiliários na B3 iniciou a última segunda-feira (26) sob forte pressão vendedora, refletindo o ajuste provocado pelo resultado do segundo turno das Eleições 2026. O IFIX, principal índice do setor, sofreu um tombo acentuado nas primeiras horas do pregão, recuando 7,98% e alcançando os 3.672 pontos por volta das 11h02. A queda ocorreu após o encerramento de uma semana anterior positiva, na qual o indicador havia renovado sua máxima de 52 semanas ao fechar aos 3.990,57 pontos.
O movimento de baixa generalizada foi impulsionado pela reprecificação dos juros futuros mais longos, motivada pela incerteza política e econômica. Com a eleição de Lula para a Presidência obtendo 51,79% dos votos válidos contra 48,21% de Flávio Bolsonaro, os contratos de DI de prazo mais longo saltaram mais de 2,6 pontos percentuais. Diante da alta na renda fixa, os investidores passaram a exigir retornos maiores dos fundos imobiliários, gerando uma desvalorização generalizada das cotas.
Entre os segmentos mais afetados pela onda de vendas estiveram os fundos de tijolo, com destaque para lajes corporativas e shoppings. Ativos voltados a portfólios de longo prazo são sensíveis às taxas de desconto de aluguéis futuros, sofrendo o impacto imediato da disparada dos juros reais. O fundo RPRI11 liderou as perdas do índice com queda de 17,00%, seguido por outros veículos como TOPP11, JSAF11, PVBI11 e HSML11, todos com recuos superiores a 15%.
Apesar do cenário adverso para o índice geral, alguns fundos imobiliários mantiveram destaques operacionais e de liquidez no período. O SNEL11, voltado ao segmento de geração distribuída de energia solar, registrou um recorde histórico de liquidez com cerca de R$ 172 milhões negociados ao longo do mês. O volume expressivo acompanhou a expansão da base de investidores do fundo, que alcançou 150 mil cotistas, além da conclusão de sua quinta emissão de cotas que captou aproximadamente R$ 1,01 bilhão.
Outros ativos também movimentaram o mercado com notícias corporativas e distribuições de proventos. O fundo HGLG11 anunciou a aquisição da totalidade das quotas de uma sociedade de propósito específico detentora do Pátio GRU, um estacionamento de carretas situado no Parque Logístico Guarulhos, em uma operação avaliada em cerca de R$ 9,98 milhões. Já o ALZC11 manteve a distribuição de dividendos em R$ 0,09 por cota, entregando um dividend yield anualizado de 14,6% com base em sua carteira de Certificados de Recebíveis Imobiliários.
Analistas ressaltam que o comportamento histórico do IFIX em períodos eleitorais anteriores aponta para uma recuperação gradual ao longo de doze meses, embora o curtíssimo prazo seja marcado por volatilidade acentuada devido a frustrações ou preferências do mercado. O desempenho futuro do índice dependerá diretamente das sinalizações da nova equipe econômica e das decisões fiscais adotadas no início do mandato.