Isover fecha única fábrica no Brasil após 75 anos de operação em São Paulo
Unidade industrial em Santo Amaro encerrou atividades após acordo com o Ministério Público e a Cetesb, transformando-se em centro de distribuição.
Após 75 anos de atividades no Brasil, a Isover, multinacional especializada na fabricação de materiais de isolamento térmico e acústico pertencente ao Grupo Saint-Gobain, encerrou definitivamente a produção em sua única unidade industrial no país. A fábrica, situada no bairro de Santo Amaro, na zona sul de São Paulo, teve as operações encerradas em 31 de julho de 2026, após a celebração de um Termo de Ajustamento de Conduta com órgãos ambientais e o Ministério Público.
A decisão marca o encerramento de um ciclo industrial iniciado em 1951, alterando a cadeia de fornecimento de materiais essenciais para setores como construção civil, indústria automobilística, agronegócio e infraestrutura de data centers. Apesar da paralisação da fabricação local, a companhia informou que continuará operando no mercado brasileiro, convertendo o antigo endereço fabril em um centro de distribuição voltado ao abastecimento nacional com produtos importados de sua rede internacional.
O fechamento da fábrica decorre de um histórico de reclamações de moradores locais a respeito de incômodos ambientais associados às operações. Ao longo de anos, residentes relataram episódios de emissão de fumaça, odores fortes e ruídos excessivos, inclusive durante a madrugada. As denúncias apontavam ainda reflexos na saúde da comunidade, englobando irritação nos olhos, dificuldades respiratórias e ressecamento da pele.
A pressão social ganhou maior projeção em março de 2023, quando habitantes encaminharam uma petição à Companhia Ambiental do Estado de São Paulo para exigir providências contra a poluição. Em decorrência das fiscalizações, a autarquia ambiental aplicou multas e advertências à empresa por irregularidades ligadas a odores e ruídos no período anterior ao fechamento.
Para formalizar a interrupção, um Termo de Ajustamento de Conduta foi firmado em 22 de dezembro com a participação do Ministério Público e da Cetesb, determinando um cronograma gradual. A fabricação de lã de vidro foi paralisada até 4 de julho de 2026, enquanto o forno de fusão de vidro, considerado a principal fonte de emissões atmosféricas, encerrou o funcionamento no dia 31 do mesmo mês.
A medida impactou mais de 100 famílias de colaboradores diretos, além de milhares de trabalhadores indiretos vinculados à cadeia produtiva. Em manifestações públicas, a multinacional destacou que o prazo estipulado serviu para mitigar os efeitos da interrupção sobre funcionários, dezenas de clientes e milhões de consumidores.
Com a transição concluída, a Isover mantém sua presença comercial no Brasil exclusivamente por meio da importação e distribuição de mercadorias fabricadas em outras nações, assegurando a continuidade do atendimento aos clientes locais sem a produção industrial em território brasileiro.